Cartas de amor ao planeta e à dor por Rebecca Foon em 'Waxing Moon'
90%Overall Score

Foon permite-se a que o seu nome ganhe protagonismo e edita agora e finalmente o seu primeiro álbum em nome próprio. Mas a violoncelista canadiana tem o seu dom mágico já mais que espalhado um pouco por toda a Constellation Records de criar ambientes transcendentais, agora pela sua Montreal natal e muito mais além da cidade canadiana.

Foon faz parte dos A Silver Mt. Zion, co-fundadora dos Esmerine, colaboradora de Colin Stetson na Gorecki Symphony of Sorrow, e esconde-se por trás da personalidade alternativa Saltland. Passou também pelos Set Fire To Flames e isto só sem sair da sua rua, porque quando saiu largou a sua arte em discos dos British Sea Power, Patrick Watson, Nick Cave, Carla Bozulich ou Vic Chesnutt. Cansados?! Imaginem ela.

Agora num misto de necessidade e de purga, Rebecca Foon assume o comando da nomenclatura em Waxing Moon. Sentindo-se na obrigação de ter uma palavra a dizer no que toca à urgência climática do planeta e fazendo face a desgostos pessoais, a canadiana envolve toda a sua experiência enquanto criativa na disparidade de projetos e sonoridades da qual faz, fez ou vai fazendo parte, num satélite exemplar em terno do qual todo o passado orbita.

Absolutamente estruturadas enquanto canções no sentido quasi-pop da palavra, os temas de Waxing Moon pairam no ambientalismo, flutuam no dreampop, magoam na pele fina da alma pelo peso barroco da sua opacidade cinematográfica e etérea, e transpiram a terra castanha da folk, aproximando o mundo do lado de fora das canções da vasta leveza do voyeurismo que Foon oferece tema a tema sobre a pornografia que é a beleza incomparável da bolha azul e a inevitável necessidade de a amar de forma incondicional.

Este seu último trabalho é um ensaio sobre o pessoal e íntimo do indivíduo frente a frente com a fundamental imprescindibilidade de ser pessoal e íntimo de forma global com o planeta e os fios inquebráveis que fazem parte da natureza. Cada acto de ataque ao mundo de forma irresponsável é, na verdade, tão e somente, um acto de suicídio global e individual.

Pelo disco passam alguns convidados como Richard Reed Parry dos Arcade Fire, Patrick Watson ou Sophie Trudeau dos Godspeed You! Black Emperor e os royalties de Waxing Moon serão entregues na totalidade à Pathway to Paris, associação activista sem fins lucrativos pelo clima, fundada por Rebecca.