Chairlift - Moth
91%Overall Score

Os Chairlift, dupla de electrónica do Colorado, eram praticamente desconhecidos até ao momento em que “Bruises”, single do seu primeiro trabalho Does You Inspire You lançado em 2008, foi utilizado no anúncio da quarta geração do iPod Nano da Apple. A partir daí, muitos foram os curiosos que se renderam à electrónica da banda, que relembra a pop dos anos ‘80 mas modernizada para os tempos de hoje. Já em 2012 lançaram o segundo disco Something, um álbum que marca uma transição para os Chairlift, na medida em que Aaron Pfenning abandonou o projecto e é substituído por Patrick Wimberly, o que leva a uma reestruturação no estilo da banda; a pop 80’ dos Chairlift deixa de existir e tornam-se numa banda mais orientada para o synthpop e indie pop.

E é neste Moth, o terceiro de originais, que a banda alcança o seu potencial. Tanto Does You Inspire You como Something apresentavam entre três a quatros singles memoráveis e bem conseguidos que facilmente se destacavam como as melhores faixas de cada álbum, provocando falta de equilíbrio nas músicas de ambos. Isto devia-se à discrepância entre as faixas de electrónica muito mais abundantes que as de pop 80’s no primeiro, e o synthpop ainda não explorado na totalidade no segundo. Este é o principal problema a ser corrigido em Moth; cada um dos dez temas que o integram passa a ter identidade própria, transmitindo a ideia que todos são necessários para que o disco resulte como um todo.

A identidade das músicas não é a única a afirmar-se; os quatro anos que separam Moth do anterior Something, permitiram que Caroline Polachek, a vocalista, e Patrick Wimberly se conhecessem melhor e explorassem os seus pontos fortes/fracos, de modo a sobressair o melhor de cada um. Isto fez com que explorassem a fundo as possibilidades da sua música e qual o caminho a seguir, produzindo um disco competente tanto a nível de sonoridade e lírico. O trabalho colectivo da dupla já se adivinhava nos momentos em que os singles “Romeo” e “Ch-Ching” foram lançados, registando-se uma grande evolução no registo da banda, sendo duas das músicas mais fortes na carreira da banda.

A complexidade destas músicas não é um mero acaso, pois também se faz sentir nas restantes. Cabe a “Look Up” e “Polymorphing” iniciar o álbum, e regista-se de imediato uma enorme diferença entre elas: enquanto que “Look Up” caracteriza-se pelo seu tom sombrio, “Polymorphing” apresenta-se como um tema mais funky e dançável. “Ottawa to Osaka” e “Moth to the Flame” são outro exemplo de opostos completamente diferentes, sendo uma a música mais entristecedora do álbum e a outra, a mais dançável. Estes quatro temas comprovam a identidade individual que foi atribuída aos constituintes de Moth, e como conseguem demonstrar a evolução dos dois americanos.

Por Patrick Wimberly ter ficado encarregue de grande parte da produção das melodias do álbum, Caroline Polachek ocupou-se de escrever as letras e nunca esteve tão bem; “Crying in Public” e “Unfished Business” são dois exemplos em que a vocalista solta todo o seu alcance vocal, algo que nos trabalhos passados não teve a possibilidade de fazer. Aliás, a distribuição de tarefas em atribuir-lhe todo o trabalho vocal (Patrick Wimberly ocasionalmente fazia de segunda voz em Something) e Patrick ser remetido para os instrumentos, permite que se foquem exclusivamente nestas funções e retirem o máximo proveito das mesmas.

Este é melhor e mais impressionante trabalho de Chairlift até à data; a evolução da banda é notória quando em comparação com os seus trabalhos anteriores. Com Moth, os Chairlift conseguem finalmente afirmar-se como uma das melhores bandas de synthpop da atualidade, um lugar que já lhes estava destinado a algum tempo mas que ainda não o tinham conquistado. Talvez Moth (traça) não seja o nome mais apropriado para este álbum, mas sim Butterfly; Does You Inspire You foi uma lagarta, Something um casulo e, finalmente, Moth é uma borboleta. Que os Chairlift voem alto, como merecem.