Pop alternativo. À partida o conceito parece-nos paradoxal. Se é pop, não é alternativo. Aliás, se é pop, então, de forma simplista, podemos considerar que tal derrota automaticamente o conceito de alternativo. O debate é eterno e a história repete-se. Banda alternativa > Hit escarrapachado num anúncio da Vodafone > Pop. Charlotte é, sem misericórdia, pop. E não é. Ou melhor, não é . É, adivinharam, pop alternativo. Uma espécie de híbrido, um binómio contrastante. Porque tem “algo mais”. E esse “algo mais” é o suficiente para que a pop não o seja . “Not that there’s anything wrong with that.”

Lana Ohlandizada com toques de Florence foi a caracterização mais aproximada que conseguimos arranjar. É synth, é pop, tem “algo mais” e é bom. E para nós, rótulos, categorizações, terminologias e transfigurações semânticas à parte, é o suficiente para ficarmos atentos e querermos ver mais.

Chama-se Charlotte OC, é britânica e o seu próximo EP Burning chega-nos às mãos dia 16 de Março pela Polydor. Produzido por Rich Cooper (Bänks), Paul O’Duffy (Amy Winehouse) e co-produzido por Tim Anderson (Sia), dele podemos já ouvir e ver este “If My House Was Burning” realizado por Georgia Hudson (, Glass Animals) que reflecte uma sequência idílica de sonhos. Já abriu, na Austrália, para The Temper Trap e actuou lado a lado com os Alt-J, SBTRKT e Danny Brown. Mais diversificado seria difícil.

Talvez o tempo não nos venha a dar razão e Charlotte se torne numa Iggy ou numa Charli – que também tinham “algo mais” que entretanto se perdeu algures pelo meio de uns certos milhares de maços de dólares/libras. Mas não apliquemos já uma sentença de morte à rapariga. Para já, ela tem “algo mais”. E neste momento, esse “algo mais” faz toda a diferença.

rosana rocha sig