O séquito de David Lynch costuma ser sempre maravilhoso. Seja nas suas linhas cinematográficas ou parcerias musicais que se prestam constantemente intensas. Recorde-se, por exemplo, “I’m Waiting Here”, com a voz açucarada de Lykke Li, faixa do segundo álbum de estúdio de Lynch, Big Dream, lançado em 2013, e que ainda hoje ecoa.

As criações melodiosas deste criativo, que se vê erguido já como figura de culto, navegam sempre por águas instrumentais nostálgicas, pejadas de memórias de uma road-trip infindável ou capazes de fazer reflectir, da forma mais introspectiva possível, os cenários surreais da mente.

Chrysta Bell, artista californiana que se presta a vários meios artísticos, tem no currículo bastantes vínculos a Lynch, que a considera sua musa e que a comparou, por várias vezes, a um alien, mas sempre com significado lisonjeiro. Bell também fará parte do elenco de regresso à aclamada série Twin Peaks, em 2017, projecto icónico, como bem sabemos, e capaz de belas bandas-sonoras, e o mesmo acontecendo com os filmes que pensa e realiza, como a tristonha “In Heaven”, de Eraserhead, de 1977.

Em 2011, Bell lançou o seu álbum de estreia, This Train, cuja escrita e produção tiveram dose de David Lynch e prepara então um EP, Somewhere in the Nowhere. De novo, este projecto tem grande responsabilidade a apontar a Lynch e estará nas ruas já no início de Outubro.

Comecemos por escutar “Beat the Beat”, para irmos aquecendo. A música puxa para os lados de Goldfrapp com pitada de Scissor Sisters em tom mais dark, mas é a voz de Bell quem ganha o lugar do pódio, expressando-se forte e em uivos que ressoam e fazem ricochete e dançando na corda-bamba de uma batida electrónica que roça, sem dúvida, a perfeição.