Em Paredes de Coura conversámos com Lauren Mayberry, Iain Cook e Martin Doherty. Eles são os CHVRCHES, a banda escocesa de música electrónica e os novos “queridinhos” do synth-pop do Reino Unido.

Ainda no auge do que semearam em 2013, o seu primeiro álbum The Bones of What You Believe, os CHVRCHES não se deixam influenciar pela fama repentina, por comentários sexistas, pela pressão das rádios ou por prémios de música. Ouvimos o que eles tinham para dizer e até falámos sobre os East 17, se é que ainda se lembram deles.

Vocês vêm todos de backgrounds diferentes e de bandas diferentes, como é que se encontraram?

L: O Ian e eu conhecemo-nos há bastante tempo quando fazíamos música na universidade. Conheci-o quando ele gravou a minha outra banda Blue Sky Archives, penso que em Setembro de 2011. Depois disso ele perguntou-me se eu gostaria de gravar algumas coisas com estes rapazes e cá estamos.

No vosso repertório existem muitos covers, temas de Prince e Bauhaus por exemplo. É algo que fazem para expressar as vossas influências ou é por alguma outra razão?

I: Sabes porque foi? Fomos obrigados a fazê-lo pelas estações de rádio. É esta a única razão pela qual fazemos covers. Sempre que íamos a uma sessão de rádio eles exigiam como contrapartida que tocássemos uma cover. Então aprendemos as músicas, gravámos e tocámos. E não tínhamos a intenção de se tornarem tão populares quanto se tornaram.

Mas gostam das músicas que escolheram?

L, I, M: Yeah Yeah.

Mas East 17 foi uma piada, não?

M: Sim, foi uma espécie de piada.

I: Mas tornámo-la mesmo triste.

L: O único critério é que tínhamos de fazer um cover de uma música de Natal. Nós sugerimos várias, mas tínhamos de escolher uma que estivesse na lista que a rádio nos deu. E nós demos a volta ao assunto, fazendo aquilo que eles queriam mas, também, não fazendo nada que não quiséssemos fazer.

É verdade que o álbum The Bones of What You Believe foi gravado numa cave em Glasgow?

I: É essa a verdade, sim.

Como foi o processo de gravação e de composição?

I: Tudo começou por começarmos a brincar numa drum machine e, de repente, começou a crescer e tornar-se bastante orgânico, com os três juntos. E foi assim que todo o álbum se fez. A música apareceu muito facilmente.

Os vossos singles chegaram ao Jogos Commonwealth, a séries de TV, como é que isso aconteceu?

I: Nós não sabíamos disso até os nossos amigos nos começarem a mandar sms’s. Quem quer que seja que escolheu os nossos temas, nós gostávamos de lhe agradecer.

M: Ahaha

I: Foi muito amável da sua parte.

L: O mais giro é quando as tuas músicas forem para séries que tu gostas e depois vês as suas bandas sonoras com músicas que tu fizeste. É muito bom. Mas há que ter cuidado onde a metes.

I: That’s what she said!

M: Ahahaha

Com este projecto vocês entraram na cena musical de rompante e foram nomeados para prémios importantes como “Best New Band” para a NME ou BBC “Best New Sound”. De que forma estes reconhecimentos vos influenciaram?

I: Esse tipo de coisas ajuda a impulsionar a carreira. Ajuda a que as coisas aconteçam mais depressa do que normalmente acontecem. Mas, depois da cerimónia em si ou dos seis meses seguintes, as pessoas já não se lembram. Tens de ter algo mais para dar para alimentar o público, por isso nunca nos deixámos deslumbrar por essas coisas, até porque estávamos a tentar fazer o álbum nessa altura e era muito mais importante.

Tenho uma pergunta especialmente para a Lauren. Eu li o teu artigo no The Guardian sobre os comentários sexistas que foram feitos sobre ti e sobre bandas com elementos femininos na sua formação. Durante esta época de festivais, em Portugal, passaram por cá algumas bandas com essas características, cujos elementos femininos também já passaram por isso. O que é que tens a dizer sobre esse preconceito?

L: Foi muito bom para nós as pessoas terem respondido favoravelmente a isso. Para mim, foi só uma visão ampliada do que se passa na sociedade constantemente. E é muito triste que isso aconteça com raparigas em bandas, e há muito a política do “Don’t ask, don’t tell”, faz parte do trabalho e tens de engolir. Hmmm… Não tem de ser assim, não tens de aturar isso e ficar calada. Eu não sou uma rapariga numa banda, eu sou uma pessoa numa banda, não tenho de ser tratada de forma diferente.

Acham que no rock as mulheres são tratadas de forma diferente?

L: Acho que não interessa o tipo de música que tocas. Pode passar a ideia de que, se estiveres numa banda rock e tiveres uma atitude mais agressiva, aturas menos merdas. Mas isso não é verdade. Nós fizemos um trabalho com a Hayley Williams dos Paramore e ela é uma miúda do rock e já teve muitas experiências com esse tipo de preconceito. Eu também já toquei em bandas muito mais hardcore que esta e aconteceu a mesma coisa. Acho que acontece mais, agora, por termos mais visibilidade.

E quanto ao Festival de Paredes de Coura? O que pensam sobre ele até agora? Já se deram conta que estão num dos mais bonitos festivais do mundo?

I: Ahaha sim! Nunca tinha vindo ao Norte de Portugal, nunca tinha vindo de carro até tão longe. É uma zona linda.

Já foram até ao famoso rio?

I: Não ainda não. Já não vamos a tempo.

L: Amanhã tocamos em Reading. Vamos conhecer mais pessoas do Rock em Reading.