Eles tinham avisado que a primeira reincarnação da banda tinha chegado ao fim. Estávamos no final de 2014 e foi com o coração nas mãos que recebemos a notícia de um futuro incerto. Seria o final absoluto da banda ou seria apenas o final da banda nos moldes em que a conhecíamos?

Pelo meio, os Liima. Projecto (desconhecia-se na altura se) paralelo de 3 dos elementos dos Efterklang com o percussionista finlandês Tatu Rönkkö. Brotaram nos primeiros meses deste ano com vários temas que culminaram no lançamento do disco de estreia ii em Março pela mítica 4AD, um disco que serviu de incubadora para as tendências fortemente experimentalistas verificadas no pós-pseudo-desmembramento da banda dinamarquesa.

3 meses volvidos sobre ii, os Efterklang voltam, felizmente, a entrar no nosso radar e desfazem todas as dúvidas que andavam a pairar já há mais de ano e meio. Não houve um ponto final, mas sim um ponto e vírgula. Ou, talvez, uma mudança de parágrafo. E que mudança dramática que é.

O regresso materializa-se nas cidades de vidro de Leaves – The Colour Of Falling, uma banda sonora experimentalista e explorativa – como não podia deixar de ser como todas as coisas Efterklang -, que conjuga brilhantemente a electrónica tradicional que sempre nos conseguiram proporcionar com algo que talvez não estivéssemos à espera. Ópera.

“Cities Of Glass” apela-nos, numa primeira fase,  a uma sensação de conforto por termos connosco sensivelmente o mesmo som a que banda sempre nos habituou. Mas eis que no desenvolvimento do tema, a composição resvala para algo bastante mais operático e de substantiva altivez, com a proeza de raramente parecer um corpo estranho, deslocado ou forçado. E, surpreendente, é como estes dois estilos tão distintos, que muitas vezes provocam reacções opostas na escala das papilas gustativas, se mesclam tão natural e delicadamente. Sim, Leaves será um disco de ópera. À maneira dos Efterklang.

Leaves – The Colour Of Falling foi apresentado ao vivo no Verão de 2015 no decurso de 16 noites, todas elas esgotadas, na já reformada base nuclear do Hospital Municipal de Copenhaga. A ópera foi encomendada pelo Festival de Ópera de Copenhaga que, com a colaboração do Sort/Hvid, teatro local, tomou para si as honras de produção do evento. O resultado traduziu-se em 16 noites misteriosas e fascinantes num espectáculo que recebeu rasgados elogios e imenso carinho por parte do público.

O disco conta com a participação dos The Happy Hopeless Orchestra e chega-nos a 4 de Novembro pela Tambourhinoceros, tendo sido ajudado a nascer pelo compositor, essencialmente de bandas sonoras, Karsten Fundal. Sobre o conceito, estas são as palavras dos Efterklang:

We wanted to break down the conventions of the opera as a genre. The result is a song cycle about a cult located beneath the ground while the earth might be experiencing its downfall above ground. It’s about loss – loss of identity, loss of love and loss of life itself. We wanted to create an opera for the mood you’re put in when you on a beautiful autumn day see how a brown leaf falls from a tree in the garden – the beautiful swaying fall signifying that everything will perish.

Nada temam. É bonito.

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