Se a escassez de guitarras esfarrapadas, escalas melódicas retorcidas e riffs estridentes é um problema, os Cloud Nothings têm certamente o contraveneno. Mais polidos com o quarto e último registo de estúdio lançado no início do ano, os norte-americanos muito devem a passagem de um punk mais lo-fi e caseiro para uma espécie de power pop com laivos de grunge à produção do disco a cargo de John Goodmanson, responsável também pelos contornos discográficos de álbuns dos Sleater-Kinney e Death Cab For Cutie, e isso nota-se: embora mais contidos e seguidores de uma linha sonora de paisagens mais amenas, o facto é que os Cloud Nothings não perderam o nervo e a gana e não desempoeiram a energia do seu som.

Exemplificativo dessa vertente mais aprumadinha dos punk rockers é “Enter Entirely”, um dos temas do alinhamento de Life Without Sound, que depois dos singles “Internal World” e “Modern Act“, recebe um vídeo de tonalidades bem retro e desfocadas, de flores nostálgicas e melancólicas que condizem com o tom lírico que questiona a passagem do tempo sem se terem tomado as rédeas da vida numa atitude passiva e estática perante as oportunidades que surgem mas não se agarram. A reflexão conduz a uma aceitação do passado, sendo esta o catalisador de uma mudança que se contempla e que seja a chama que põe as coisas no seu devido lugar.

Life Without Sound foi editado a 27 de janeiro pela Carpark Records como, aliás, todos os quatro discos da sua carreira.