Club Kuru é o nome de guerra de Laurie Erskine, exímio artesão de canções nascido no berço do trip-hop, a cidade de Bristol, e descendente directo dos beats lânguidos e arrastados da corrente sonora que sem desaparecer dos radares se refugiou no cinzento nebuloso das franjas. Mais que um filho do trip-hop, Laurie é senhor de uma musicalidade quente, elegante e apurada que entre os corredores das estruturas pop, nitidamente a base das composições de Club Kuru, enfeita as paredes das suas canções de pinturas marcadas por tantas assinaturas diferentes. O EP de estreia, All The Days, lançado em Abril passado marcava de forma bem vincada a fortíssima capacidade de escrita do britânico e em apenas quatro temas afirma esta capacidade de misturar cores e tons. Em “Loot”, “Seesaw”, All The Days” e “Long Drive” o já mais que referido trip salta para a tela da indie-pop mais descarada, pinta contornos escuros em cores amareladas com elementos da nu-soul/dark r’n’b e aproxima-se a Sohn, Chet Faker, Deptford Goth ou Rhye mas sem se afastar da chill-wave americana e com algum do elemento dream presente de forma tímida ou subtil. E sim… com uma vontade efectiva de fazer dançar, mais ou menos devagar, mas dançar.

No seguimento do EP, Club Kuru, prepara o lançamento de um novo single já para final de Julho, mais concretamente a 31, pela Believe Recordings. A escolha recai em “Long Drive”, a faixa que encerra All The Days EP, um momento etéreo de melodia nostálgica e emocionada grandiosidade. Aqui onde o synth-pop se rende à religiosidade do amor devoto nasce uma canção para constar nas melhores ou pelo menos nas mais bonitas do ano.

O single conta com os remixes de Holy Strays, Harry Edwards e Harms bem como um rework do próprio Club Kuru – que se pode ouvir em baixo juntamente com o EP completo – para o tema título.

alec peterson sig