Cold War Kids - Hold My Home
60%Overall Score

Ao quinto álbum, os Cold War Kids continuam sólidos e a fazer hits cativantes à primeira audição. Os californianos formaram-se em 2004 e em 2006 assinam por uma grande editora, o que lhes permitiu a gravação do seu álbum de estreia, Robbers and Cowards. Este recebe críticas positivas e dá-lhes estatuto de banda de culto. Nos álbuns seguintes esforçam-se por fazer um som eclético, mas radio friendly, o suficiente para ter os seus singles a passar nas rádios.

E eis que chegamos a Hold My Home. Sem dúvida, a banda de Nathan Willett já trilhou estes caminhos antes, mas isso não faz com que o seu trabalho aqui seja de menor valor. Às vezes não é o quão diferente és, mas o quão melodioso consegues ser. Afinal de contas, estamos a falar de música. E como dizia o falecido Kurt Cobain, “a melodia é a coisa mais cativante ao ouvido humano.” E cheio de melodias está este álbum. A começar pelos dois singles de apresentação, “All This Could Be Yours” e “First”. O primeiro, abre igualmente o álbum e dá o mote para um trabalho coeso e de fácil assimilação com estrofes ritmadas, pré-refrões intensos e refrões preparados para serem cantados em multidão ao vivo. O segundo, mais compassado, mas igualmente vibrante, com um refrão que lembra um pouco Imagine Dragons, em que a melodia vocal está em perfeita sintonia com o ritmo.

Aliás, o ritmo e a melodia estão muito bem ligados nas quatro primeiras músicas do álbum, criando um primeiro acto avassalador no que diz respeito a prender o ouvinte, missão que cumpre na totalidade. Após estas, as quatro seguintes, apesar de não serem más, tornam-se um pouco mais banais, bebendo algumas inspirações de U2 da altura do The Unforgettable Fire, fazendo o segundo acto um pouco menos apelativo, salvando-se a excepção da homónima “Hold My Home” pela sua componente muito mais rocker. É, possivelmente, a faixa mais rasgada do álbum.

Ao aproximarmo-nos do fim, sentimos de novo a banda crescer, e as três ultimas músicas são o final perfeito para este trabalho. Primeiro com “Flower Drum Song”, uma música simples, mas marcada por uma guitarra longínqua e um teclado intenso que apenas servem de ambiente para uma batida tribal onde a voz comanda com um feeling muito soul, mas com um toque moderno. Refrão explosivo. Segue-se “Harold Bloom”, para mim o momento do álbum. Um slow blues com um twist gospel, um pouco a puxar para Hozier, carregado de emoção na voz, como um verdadeiro gospel deve ser. Apenas teclados e pequenas percussões acompanham a voz, brilhante de tão minimalista. E, finalmente, “Hear My Baby Call” encerra o terceiro acto, já com a banda completa.

Mais uma prova que o rock ou pop rock ou alt. rock, como preferirem, se encontra de boa saúde. É só preciso ter paciência para procurá-lo pelas milhares de faixas no Spotify. Ou ter a sorte de o encontrar por acaso. Ou não. Destaco “All This Could Be Yours”, “Hot Coals”, “Flower Drum Song” e “Harold Bloom”.