Colleen veste a sua bata branca de cientista e pega nos botões, pedais, sintetizadores e demais instrumentos electrónicos com que vai brincando no seu laboratório de sons. Sem fórmulas genéricas pré-concebidas pelas quais se possa – ou queira – guiar, Cécile Schott sobrepõe camadas compostas por pequenas gotículas de elementos químicos distintos que levitam erraticamente no campo magnético da sua música, num caos controlado que se perpetua na vastidão do espaço que vai criando, alargando fronteiras, derrubando obstáculos, deixando rastos de combustão numa órbita onde a ordem vigente é a aliatoriedade.

O efeito estético é dramático, o experimentalismo difuso, as assimetrias profundas e anárquicas, e ainda assim, a harmonia reina num mundo em que cada partícula se posiciona no seu lugar, de forma natural e intrínseca, na mesma frequência biologicamente lógica e complementar, depois de deitados no mesmo globo translúcido todos os ingredientes, mais ou menos terrenos, das estruturas poligonais e disformes das composições da menina francesa. “Separating”, a nova experiência laboratorial telecinésica de Colleen, recebe essa mesma assinatura, reconhecível e inata, ainda que aparentemente acidental, e desbrava corredores luminosos embrulhados num espectro de cores inanarráveis rumo a uma nova colecção de pequenas bolhas experimentais de som.

A Flame My Love, A Frequency, o álbum que sucede a Captain Of None de 2015, é lançado a 20 de Outubro pela Thrill Jockey, editora independente focada principalmente em electrónica e música experimental, que tinha já editado o disco anterior. “Separating” é o primeiro single.