Believe The Hype, diz a descrição da fanpage do site de música Popload. E não é que ele tem razão? O hype ganha progressivamente espaço, não apenas na música, mas também na maneira de elaborar e vivenciar festivais e também na escolha do guarda-roupa dos jovens (alguns nem tanto) de hoje. Não sejamos superficiais, vai muito além disso! O hype do qual estamos falando será simbolizado pelos óculos escuros, gama de cores, diversidade de gênero, diversidade cultural e múltiplas vertentes musicais que estarão presentes no Popload Festival 2017, que chega a sua quinta edição e acontece no feriado do dia 15 de novembro, no Memorial da América Latina – ponto turístico da cidade e palco de inúmeros festivais que fervilham o tempo todo neste caldeirão cultural chamado São Paulo.

O festival mantém praticamente o mesmo formato do ano passado, com a diferença de que acontecerá em outro local e terá seis bandas no alinhamento (uma a mais em relação a edição anterior). Aqui impera o indie, a pop e a música eletrónica nesta edição, porém, há espaço para o rock também. Por que não haveria? Confira os destaques do festival segundo o olhar da Tracker Magazine.

Representado pelas bandas Ventre e Carne Doce, a música nacional brasileira estará presente no festival. É claro que faltou muita gente boa nessa lista, como: Boogarins, Far From Alaska, O Terno, Liniker e os Caramelows, Nômade Orquestra, Mahmed, Vivendo do Ócio, Francisco El Hombre – só para citar alguns –, mas é explícito que não seria possível encaixar todo mundo.

Ventre

Visceral e penetrante, a Ventre, formada no Rio de Janeiro, está em constante ascensão e é uma das bandas que mais se destaca no cenário nacional independente. É possível tirar das guitarras de Gabriel Ventura uma salada ruidosa temperada com fuzz, pedais de delay e reverse, além de muita da psicodelia que o papai Hendrix ensinou. Ao mesmo tempo, seu vocal sussurrado remete a MPB brasileira e o samba. Nada se compara a bateria jazzística e fragmentada de Larrissa Conforto que, em uníssono com as distorções e notas cheias do baixo de Hugo Noguchi, formam um som inigualável. Além dos notáveis atributos sonoros, o power trio não hesita em demonstrar sua posição política e defender o feminismo em suas apresentações ao vivo. Com pouco tempo de vida, o grupo gerou um disco homônimo Ventre (2015), seguido de um DVD Ventre Ao Vivo no Méier (2016). No momento, eles estão se preparando para gravar o segundo disco, enquanto participam de importantes festivais Brasil afora. Atração confirmada no Popload Festival, podemos esperar um show intenso e uma presença de palco pujante do trio.

Carne Doce

Uma das grandes apostas do festival, o quinteto goiano Carne Doce não deve nada para os demais artistas no que toca ao nível de show e complexidade das composições. Se por um lado o lançamento certeiro do homônimo Carne Doce (2014) ganhou notoriedade do público, por outro, em Princesa (2016) – segundo álbum do grupo -, houve uma evolução estrondosa. Salma Jô, vocalista, compôs todas as letras do disco e expeliu nas canções de uma forma contundente sua insatisfação e repulsa em relação a sociedade machista e patriarcal em que vivemos. A voz feminista de Salma é a voz de milhares de mulheres que são silenciadas por homens a todo instante – inclusive, enquanto lê esse texto neste exato momento.

As letras ácidas e metafóricas provocam a reflexão e exploram a desigualdade de gênero, além de temas pouco discutidos como o aborto, em “Artemísia”, ou sexismo, em “Falo”. Não só de voz é composto o último trabalho do Carne Doce. O disco tem espaço para um instrumental que percorre o indie rock, mas também se move com facilidade entre o rock psicodélico e ritmos brasileiros. O Carne Doce tem uma apresentação energética ao vivo, principalmente pela performance exuberante e expressiva de Salma Jô.

Phoenix

Direto das baladas da Rua Augusta, o som do Phoenix reverbera nas pistas de dança com os hits “Lisztomania” e “1901” – pertencentes ao aclamado disco Wolfgang Amadeus Phoenix (2009) -, embebido de suor e corpos enlouquecidos chacoalhando. O quarteto francês chega no Brasil com seu mais novo trabalho de estúdio Ti Amo (2017, Glassnote). A obra afasta consideravelmente a banda da sonoridade indie apresentada no início da carreira e os conduzem para um lado mais disco e pop. Demasiadas camadas de sintetizadores e batidas eletrônicas com guitarras – que mal aparecem -, e vozes (robotizadas e carregadas de efeito) também fazem parte do álbum. Esse é o momento do festival em que o público vai se permitir dançar sem medo de se cansar. Ti Amo é um passeio pela romântica e sensual Itália da década de 70. Essa estética é demonstrada no vídeo da faixa título, divulgado em outubro:

Daughter

Embora seja um palpite pretensioso, apesar do curto período de existência, Daughter tem tudo para fazer o melhor show do Popload Festival. Com dois EP´s e três discos apenas, o trio britânico alcançou uma autenticidade que poucos artistas conquistam em suas carreiras extensas. Music From Before The Storm (2017, Glassnote), recém-saído do forno, é na verdade uma trilha sonora do jogo de videogame Life Is Strange: Before The Storm. Nada mais justo, ainda que a voz de Elena Tonra seja belíssima, o forte do grupo são as epifanias instrumentais.

Sugerimos iniciar a audição do trabalho gravado pelas faixas “Departure” e “The Right Way Around”. A trilha possui um quê de melancolia e transporta o ouvinte para uma atmosfera frágil e emocional. O trio bebe do post-rock, ambient e dream pop e não economiza nos elementos eletrônicos, efeitos, reverbs em excesso e texturas envolventes. Segundo uma entrevista que a banda cedeu para o site Monkeybuzz, eles estão preparando um repertório misto para o Popload, que inclui músicas agitadas, outras mais rock e algumas mais introspectivas.

PJ Harvey

Nascida na zona rural de Dorset, na Inglaterra, PJ Harvey dispensa apresentações, porém, nunca é demais o conhecimento sobre uma das mulheres mais respeitadas da música, “título” que divide com nomes como os de Kim Gordon dos Sonic Youth, Courtney Love dos Hole ou Kim Deal , a ex-baixista dos Pixies, entre muitas outras. Com mais de 25 anos de carreira e um currículo invejável, PJ é reconhecida por ser uma letrista de excelência, multi-instrumentista, artista visual e performer. Polly Jean não se repete em seus discos, conseguindo transitar sem amarras pelo pop, indie rock, folk, eletrônico e jazz.

Um facto significativo na trajetória de Harvey: ela foi a única artista feminina  a solo a ganhar o prêmio de música britânico Mercury Prize Awards. Como se não bastasse, ela venceu duas vezes, a primeira em 2001, com o disco Stories From The City, Stories From The Sea (2000) e, depois em 2011, com Let England Shake (2011). Já seu último disco, The Hope Six Demolition Project (2016), abarrotado de críticas ácidas e atuais com teor social e político, foi o mais vendido na Inglaterra na semana de seu lançamento. PJ Harvey tem uma legião de fãs no mundo inteiro e é um dos shows mais aguardados do festival.

Neon Indian

Antevimos que no show do Phoenix as pessoas vão dançar freneticamente. Sinceramente, não sabemos o que vai acontecer quando Alan Palomo aterrissar com sua nave eletrônica – mais conhecida como Neon Indian — , em São Paulo. Provável que seja mais um daqueles momentos em que as pessoas sacodem os ossos ininterruptamente durante o show. Alan Palomo se consagrou na onda chillwave em 2009 ao lado de artistas renomados como Washed Out e Toro Y Moi. Imaginem um som que permeia referências da década de 80, somados ao reggae, samples extraídos de fitas VHS antigas, guitarras funkeadas e uma brisa tropical que possibilita a fluidez de cores. A relação bilateral é restaurada e transformada em ritmo. A única regra é: DANCE! Quem nunca ouviu Neon Indian, pode começar pelas faixas “Dead Skorpio Magazine” e “Street Level” do último trabalho Night School (2015), gravado ao longo de quatro anos.

O Popload Festival tem tudo para ser um festival singular em meio a tantas opções de entretenimento que se apresentam em uma das maiores metrópoles do planeta. O preço dos ingressos para as diferentes sessões varia entre R$190,00 e R$500,00.

Os horários dos shows já foram tornados públicos e podem conferir em baixo.