Se há banda que sempre se conseguiu manter à margem de categorizações facilmente reconhecíveis e estilisticamente apuradas na sua génese primordial indie-post-punk – ou qualquer que tenha sido a chaveta sonora que definiram para si mesmos – logrando, simultaneamente, a proeza de não hostilizar nenhuma, os Maxïmo Park serão, porventura, um dos primeiros nomes a saltar do catálogo. Seja na euforia e voluptuosidade do punk de guitarra afiada, ou na derivação soturna e até mesmo depressiva de um post-punk regado a brilhos electrónicos, os geordies de Paul Smith raras vezes anularam a condição sine qua non do carisma e charme irresistíveis que derramam nas suas canções libertas de convenções formais mas impregnadas de carácter.

Depois de Too Much Information de 2014 nos ter mudado um pouquinho a vida com um tom mais grave, melancólico e até mesmo cerimonial – especialmente se atentarmos ao arraso emocional de “Leave This Island”, um dos singles retirados do disco -, os britânicos regressam aos registos de longa-duração já no próximo mês de Abril e também às sonoridades mais soltas e escorregadias com “Get High (No I Don’t)”, depois de terem revelado já “Risk To Exist“, o infatigável e desabrido single de avanço lançado em Janeiro passado que dará também nome ao sexto álbum dos Maxïmo Park.

Com um vídeo que espelha na perfeição o risco para a existência do conforto e da previsibilidade das rotinas em registos uniformes deixando pouca margem a uma existência real e desencarcerada, “Get High (No I Don’t)” resgata e vem trazer de volta as ambiências indie rock mais tradicionais e festivas desde o frio de Newcastle.

Risk To Exist é editado a 21 de Abril pela Daylighting.