O colectivo nipónico MONO – que nos fez dissolver em texturas abrasivas no Amplifest ’16 -, prepara-se para lançar o seu novo álbum carimbado pela Pelagic Records a 14 de Outubro. Requiem For Hell conta com a incrível gravura de Gustave Doré, um alusão inerente à Divina Comédia e, consequentemente, ao Inferno de Dante que, apesar de ser um caminho já calcado por muitas bandas e compositores, é sempre um caminho empolgante e arriscado.

Os MONO encontraram conforto nos seus 15 anos de carreira. O seu registo único caracteriza-se por guitarras distantes, baterias de tanto interesse tímbrico quanto rítmico, baixos presentes e tensões construídas cujo peso se sente nos ombros. A série The Last Dawn/Rays of Darkness de 2014 iniciou a introdução de elementos diferentes, como uma maior presença de cordas -, ainda que na estética habitual. Assim, espera-se que Requiem For Hell seja sinónimo de risco, de exploração e de uma certa viragem numa das pioneiras e mais importantes bandas de post-rock que este planeta já viu.

Conhecemos, para já, a faixa homónima “Requiem For Hell” e também “Ely’s Heartbeat”. Foi o batimento cardíaco de Ely que nos deu as primeiras notas do disco. O órgão inicial, e o próprio batimento cardíaco que começa em fade in, criam uma atmosfera mesmo ao estilo de MONO: negra mas aconchegadora, nostálgica e confortante, frágil mas confiante. Apesar de coesa, é uma faixa inconclusiva para quem esperava algo diferente dos nipónicos, mas já anunciava que este disco, ainda em estado latente, já se encontrava vivo. Mais recentemente, no acto seguinte, a faixa homónima traz em didascálias uma coesão. Com a Jazzmaster de “taka” a criar melodias em crescente tensão, os MONO não a libertam da maneira habitual, com toda a violência e força nas notas. Aqui, é dado lugar a uma bateria simplesmente rítmica e aparentemente mais rápida que, mesmo assim, mexe com o nosso batimento cardíaco.

O último acto da espera acontecerá a 14 de Outubro e as cortinas estão quase abertas para os agradecimentos. Até agora, vimos duas cenas promissoras, mas o guião está longe de acabar. Esta narrativa promete sentimentos fortes. O elenco habitual, o brilhantismo do costume e a vontade de uma nova cenografia é tudo aquilo que esperamos de Requiem For Hell.