Embora a música folk tenha sido absorvida pela cultura urbana já há algumas décadas, ao menos desde o revival do género na cena de Greenwich Village da Nova Iorque dos anos 1950, as suas raízes pastorais seguem motivando compositores a refletirem sobre a própria existência no mundo contemporâneo a partir do encontro com as paisagens naturais e o ritmo da vida no campo, cenários cada vez mais distantes do turbilhão das metrópoles – o que contribui para atribuir frequentemente aos elementos naturais uma conotação idílica e utópica, esbarrando por vezes até mesmo na caricatura.

Para a produção do segundo longa-duração da carreira, o norte-americano Joseph Childress eleva essa idealização a mais que uma simples inspiração conceitual. No mesmo ano em que Kevin Morby afirma a sua folk como uma City Music, o country folk de Childress emerge de um processo criativo que inicia justamente com uma jornada do artista pelo interior do Oeste americano, na busca por estabelecer física e espiritualmente um contato direto com a natureza, experimentando a rotina de trabalho em ranchos no Wyoming, viajando no seu carro e explorando as extensas ferrovias que interligam cantos distantes do país.

O álbum homónimo – que promete dar corpo a esta experiência -, será lançado pela editora Empty Cellar Records, e apresenta dez registos que ganham o mundo após passarem pelos ouvidos atentos do produtor Mike Coykendall, com o qual trabalharam anteriormente artistas como M. Ward, Bright Eyes e Jolie Holland. Em oposição ao primeiro longa-duração de Childress – The Rebirths de 2013, coleção de registros gravados pelo próprio artista na casa dos seus pais no Colorado -, o novo trabalho foi captado e produzido em estúdio em Portland, e ostenta não apenas a contribuição do produtor como também o acréscimo de outros instrumentos interpretados por músicos convidados.

O resultado da combinação entre o processo introspectivo de criação e a produção cuidadosa em estúdio já pode ser apreciado nas prévias divulgadas durante a campanha de pré-lançamento. As canções alternam entre a simplicidade precisa do violão dedilhado e da estrutura oral de Childress, que enaltecem a sua veia de trovador sincero e solitário à Townes Van Zandt (White Castle Creek Mother e Whispering Tide), e outras peças em que os demais instrumentos ampliam as camadas sonoras que vão ao encontro de outras tradições do folk e do country norte-americano como em “Footsteps e, especialmente, “Virginia Bound, a mais memorável das músicas apresentadas até aqui, com um belo arranjo de violões, violinos, banjo, baixo e bateria, dando um ritmo certeiro aos versos dylanescos da canção.

O álbum chega em 6 de outubro pela Empty Cellar e as músicas disponíveis e o alinhamento completo encontram-se abaixo.

Joseph Childress
01. My Land
02. Footsteps
03. White Castle Creek Mother
04. Whispering Tide
05. Leaving The Barren Ground
06. I Am The Dust
07. 11 Mile Canyon
08. 10,000 Horses
09. Virginia Bound
10. Rebirths