Para o dicionário, o termo “pineal” é uma pequena glândula única existente no encéfalo e de funções ainda pouco conhecidas. Para alguns povos, representa um elo de ligação ao mundo sobrenatural. Para Tagore, é um novo universo de possibilidades sonoras cuja busca resultou no conjunto de melodias que constam do segundo álbum da banda intitulado presicamente… Pineal.

“Pineal” é também o segundo tema da banda pernambucana – Nordeste do Brasil. Os arranjos psicadélicos são imediatamente o ponto que distingue este trabalho do primeiro, Movido A Vapor, lançado em 2014. Tagore Suassuna soube, sim, conectar-se, não apenas com outros universos, mas soube entender, captar os tempos actuais e o mundo em que se insere. Nomes como Tame Impala, Unknown Mortal Orchestra e Flaming Lips serviram de inspiração para o seu processo criativo: a componente lírica é mais curta que em relação àquela que o público estava acostumado, mas o efeito é inebriante e a voz de Suassuna soa sedutora aos ouvidos, como quem confabula entre os riffs distorcidos.

Um apartamento alugado, um estúdio criado de improviso para captar a atmosfera lenta do seu olhar retro ou o olhar de quem aprendeu a apreciar o presente e ser o ambiente onde as paixões e desejos não são efémeros, acolhendo os elementos actuantes do vídeo, na sua maioria acima de 70 anos, cheios de vivacidade. É inegável que Tagore se arriscou, ousou e se saiu muito bem. O público, num primeiro instante, sentiu a diferença; de seguida, soube conectar-se e deixou-se envolver-se no novo caminho trilhado pelo grupo e, certamente, atraindo novos olhares.

Pineal foi lançado na 13ª edição do Festival Coquetel Molotov, disponível nas plataformas digitais dos Tagore.