Em 2014, no rescaldo do festival Alive, a prestigiada LES INROCKUPTIBLES elogiou num longo artigo a nova cena pop portuguesa, como “a inesperada Califórnia da Europa”, pela crescente quantidade de bons projectos musicais que estavam surgindo em Portugal, muitos deles em inglês, adequados a competir no principal mercado mundial. Naquele mesmo ano, os Lotus Fever ainda não estavam identificados pela revista francófona, mas publicaram o videoclip para “Introspection” – sem exagero uma genial canção capaz de agradar em qualquer país do Ocidente cultural – que evidenciava a prevista evolução após um bem auspicioso EP de estreia homónimo que em 2012 revelara uma boa voz e uma banda talentosa e musicalmente erudita.

Hoje, ainda quente (desde o lançamento no último domingo) está “Together”, o excelente novo single do próximo álbum da banda, cuja data de lançamento e título ainda se encontram no segredo dos deuses. “Together” é ilustrado por um engenhoso vídeo, em plano sequência, dirigido por BREEZECUT. E “Together” é uma canção épica, tão épica como os seus dois primeiros versos – You’ve got to bring us all together / To live in the wilderness – que são o próprio refrão da canção.

Com certeza quase absoluta, um dos melhores singles portugueses deste ano, “Together” invade os ouvidos a galope do refrão inicial (repetido a meio do tema), poderoso como os Kasabian mais festivos (até inclui palmas no loop de retaguarda), trava para se instalar com a lentidão confortante de uns Alt-J, mas munida com o persuasivo groove da secção rítmica típico dos Foals (adornado pelo dedilhar das guitarras), groove esse que, com retalhos de sintetizador, se prolonga pelo final da faixa, até ao último refrão, tocado e cantado num midtempo mais lento que os refrões anteriores, porém ainda marcado pelo animador loop de palmas que mantém o astral festivo.

Por conjugar as várias influências, logicamente sem plagiar alguma referência, “Together” é um brilhante single, que soa bem em casa, nos phones, no carro, na piscina ou no bar, com uma qualidade de produção digna dos principais canais mundiais de videoclips e que é exemplar do Portugal cosmopolita que tem oferecido à Europa e ao resto do Mundo, por exemplo, mais e maiores e melhores festivais de Verão – outro ambiente onde “Together” parece capaz de triunfar.

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