A aventura musical dos Deptford Goth chegou ao fim, mas uma nova nasceu. Daniel Woolhouse, que até aqui se abrigava neste pseudónimo de natureza melancólica e nonsense por ele criado, assume-se agora em nome próprio. What’s That Sound é o álbum que marca esta transição de identidades e será lançado dia 28 de Outubro, pela editora independente britânica 37 Adventures. Aventuras de sobra.

Outrora comparado a The xx e How To Dress Well dadas as influências r&b, house e garage na pop que criou em Life After Defo, enquanto Deptford, o caso muda de figura agora que assumiu a sua verdadeira identidade. What’s That Sound foi produzido e gravado no estúdio da sua casa em Kent e tem sido considerado mais substancial, atractivo e eufórico do que os seus trabalhos anteriores, embora mantenha a mesma alma, a mesma ansiedade e a mesma intimidade.

Depois de “Map Of The Moon” e “What’s That Sound”, Woolhouse revelou nestes dias “Soup For Brains”, o terceiro single daquele que é também, na verdade, o terceiro álbum da sua carreira. Encarando a faixa como um auto-análise, o músico explicou que, de facto, há uma sopa na sua cabeça que, por vezes, entra em conflito e parece um ciclo vicioso:

There’s this soup in my head. There are circumstances, memories and images in there that reflect on the past few years. There are coping mechanisms you develop that can be destructive and whilst you might recognise that yourself, you end up always playing catch-up with them, trying to fix one thing with another. You can end up in a repetitive cycle and I’m trying to get out of that.

Apesar da temática, “Soup For Brains” revela-se uma faixa divertida e cativante, com uma melodia capaz de contagiar um estado de espírito de expressão mais comedida e com um refrão que só apetece cantar bem alto:

When I was young I used to think
More of the time, all about being here
Now I pretend I’m a ghost
Haunting the places I’m going

What’s That Sound revela uma nova maturidade em Daniel Woolhouse enquanto músico e compositor por enaltecer a qualidade da sua escrita e a sua capacidade de se distanciar daquilo que, noutros tempos, foi a sua realidade. Não há coincidência alguma nesta quebra de estilos, já que o próprio Daniel mantinha uma espécie de vida dupla, quando em 2010 se lançou na indústria musical. Se conseguia ser professor, produtor e músico ao mesmo tempo, nós também conseguimos esperar pacientemente até dia 28 para podermos, por fim, ouvir o disco que aí vem.