O Porto emana uma energia Brit que não é alheia à secular ocupação britânica das duas margens da foz do Douro. E o emergente David From Scotland (ler em Inglês o nome próprio de David Félix) parece ser um dos novos expoentes de uma linhagem de músicos que, incluindo por exemplo o sempre jovem Mário Barreiros/Jafumega (anos 80) e Pedro Abrunhosa/Bandemónio (anos 90) e João Vieira/X-Wife (últimos anos), tem mantido a cena musical portuense à proa de sucessivas novas tendências, o que em vários casos, além de inovar em Portugal (amiúde à frente da cena da capital), tem tido êxito comercial, com muitos concertos feitos, mais a venda de discos.

Pois, pelo som e pelo nome, a nova “Neon Nymph” de David From Scotland parece coisa vinda de fora… Porque é uma interessante criação digna daquela cosmopolita missão da elite portuense. Cantada por Vitor Pinto (parceiro de David no projecto Malibu Gas Station), “Neon Nymph” é uma dançável peça de música electrónica, que por não ser muito acelerada, está a salvo de ser acantonada em ‘ghettos’ de electrónica desenfreada para danças frenéticas e ao invés foi acolhida pela generalista Antena 3, podendo naquela plataforma chegar facilmente aos ouvidos de muitos milhares de melómanos.

E é plausível que David From Scotland tenha sucesso, porque criou uma canção atraentemente ritmada e com agradável fluidez melódica ‘wave’ – além da vantagem de o som ter a cinemática polivalência de poder ambientar obras multimédia – que as partituras de sintetizador aproximam de projectos meritórios como por exemplo Desire e College ou outros que estão ou também podiam ter estado na banda sonora do filme “Drive” (de Nicolas Refn) e em que a voz de Vitor Pinto faz lembrar respeitáveis influências como Moby e grande parte dos melhores cantores da cold wave, pelo timbre e pela técnica de cantar quase declamada. Descubram o portuense David From Scotland nessa “Neon Nymph”.