Ascenção. É o que pode se esperar de elementos musicais que funcionam como um meio de transporte para outra dimensão. Há um movimento invisível que conduz o percurso da sonoridade no ar, que se desenvolve e recria espaços numa projeção lenta e, ao mesmo tempo, concisa. Não há sequer um elemento na sonoridade das inglesas Lydia Kaye e Lexx Shellard que subestime esta ascendência, bem delineada através da produção de um conjunto eletronicamente costurado com downbeats densos e emotivos. Juntas elas compõem as Kalahara e lançam em 07 de junho seu segundo EP de nome Augustine, poucos meses após terem editado Wildfire.

Permeadas por um fluxo de trip-hop, o trabalho conduz espaços rítmicos de um projeto downtempo belo e autêntico. O elemento vocal faz-se peça chave para diferenciar a profundidade das batidas e dos refrões, projetando uma experiência rica em sentidos. Produzido por Craig Murray, que trabalhou já com os Mogwai, o vídeo para o tema-título “Augustine” amplifica a experiência. A imagem do tsuru – elemento japonês lendário que simboliza saúde, sorte e longevidade -, é presente como elemento de significação na capa do EP e também referenciado no vídeo. A produção visual parece transpassar o contexto humano-visual-real e projeta uma estranha beleza de interações com um aparente ser em busca de um caminho redentor.

O projeto traz, além da versão original, mais quatro versões remixadas por artistas diferentes: Boofy, Wu Tem, ARTHFT e Avesie, que podem ser ouvidas mais em baix. Cada versão proporciona uma subversão musical à parte, respeitando a criação e estilo dos remixers e trazendo a marca única de cada play da lista. Há mais para se esperar. Além do projeto musical, as Kalahara criam o seu próprio selo, a Black Echo Records, que certamente será um fio condutor no lançamento de novas produções musicais.