Anna Meredith é uma das colossais revelações de 2016, assinalando um dos importantes nomes no mundo do avant-synthpop e electronic-experimental. Porém, este prodigioso anjo já marcava lugar no mundo da música desde muito cedo. Nascida em Londres, deixou-se derreter pelos encantos do universo da cultura musical, tendo enveredado pelo estudo do clarinete. Ao passo que crescia e ingressava em orquestras, optou por estudar na consagrada Royal Academy of Music, onde afinou o seu conhecimento e pôde limar a sua conjectura musical. Concluídos os estudos académicos e despoletando interesse pelos demais entendidos na matéria, a autora passou a ser compositora residente na Orquestra Sinfónica Escocesa da BBC, que lhe honrou o prestigioso prémio Hamlyn 2010 Paul para compositores.

Meredith conta com um enriquecido percurso profissional, preenchido de emoções fortes, entre as quais se destaca a sua colaboração como compositora na peça HandsFree pela National Youth Orchestra of Great Britain, onde foi aplaudida calorosamente pela plateia e restantes colegas do auditório. Este precioso momento está registado num vídeo bastante curioso, que permite a contemplação da grandiosidade deste belo génio. Tantas foram as suas aparições e participações em projectos como este que não existem margem para dúvidas: Meredith deslumbra-nos a cada instante. Como artista que se preze, em constante banquete contemplativo de arte, Meredith não soube estar aquietada, e foi em 2012 que ficámos todos embasbacados. E não soubemos, nós, ficar sossegados. Após o lançamento de Black Prince Fury – o seu primeiro EP -, a compositora ficou nas bocas do mundo. Como ficar indiferente a este bilhete só de ida para uma galáxia mais distante?

This is just me writing music in the way that I know how, but with just some slightly different experimentation, with electronic, more electric guitars and drums…

“Nautilus” abre as honras da casa e traduz-se e, cinco minutos de êxtase e contemplação divina. Quatro são as faixas que recheiam este passeio celestial. Podemos dissecar com precisão a faixa “Never Wonder”, este hino amargo e crú, onde a voz de Céline Dion no single “I’m Your Lady” é modificada para um alien verde, bem elegante, dançando entre Marte e Júpiter. Jet Black Raider é o segundo EP da compositora e, lançado em 2013, foi apenas mais um golpe de feiticeira, um golpe baixo que nos deixou a tremer, e a morrer de sede. É neste suspense incrédulo que Meredith deixa os seus fiéis ouvintes. Phillip Glass e Laurie Anderson orgulhar-se-iam, é certo.

O mais recente trabalho da artista foi publicado no início deste ano e trata-se de um dos mais importantes e influentes álbuns de 2016. Varmints é animal feroz e tímido, editado pela Moshi Moshi Records que inclui contribuições da violoncelista Gemma Kost, do percussionista e baterista Sam Wilson e do guitarrista Jack Ross. Este é um daqueles álbuns com um coração a pulsar, abundante e, criatividade; trata-se de um boom explosivo e emocionante. É a mistura perfeita entre géneros não bem identificados, mas que se vão descobrindo uns aos outros. Varmints dá a conhecer o novo planeta de Meredith, o seu habitat. A compositora conta, ainda, com actuações ao lado de Anna Calvi, These New Puritans e James Blake, e as suas criações musicais já entraram em inúmeros documentários e instalações.

A compositora tem data marcada para o dia 10 de Outubro, pelas 21h, no Centro Cultural de Belém (CCB), mais precisamente no Pequeno Auditório pela mão da Nariz Entupido, que nos dará a oportunidade de embarcar em Varmints. O preço do bilhete para a nave espacial vai desde os €12,50 euros e os €15 euros. Meredith convida-vos a deliciar a vossa mente e corpo: “Get on board!” Ninguém vai querer perder esta tormenta fogosa de emoções.