Dean Wareham vem de L.A. (EUA) e aterra em Lisboa para o primeiro concerto da sua primeira digressão europeia (enquanto Dean Wareham). Esta figura incontornável da cena indie traz consigo mais três elementos que compõe a sua banda (um baterista, um guitarrista e uma baixista – a sua mulher, Britta). Dean Wareham, para além de cantar, também toca guitarra e procura sempre abraçar o público com a sua música. Toca melancolia sem nunca fazer adormecer. O público presente no Sabotage é decerto conhecedor do trabalho de Dean e isso percebe-se na falta espaço para os fotógrafos junto ao palco. No decorrer do concerto, raras são as músicas que a maioria do público não acompanhe a cantar (quase sempre em surdina). As cerca de 70 pessoas não se cuibem de aplaudir fortemente cada tema e logo na segunda música tocada, “Emancipated Hearts”, Dean agarra o Sabotage (mesmo os mais desatentos). Ouve-se, de facto, boa música. Boa música que nos obriga a ir atrás dela, pois ela abraça-nos e abraça-nos muito sobriamente.

Dean Wareham faz-se celebrar com música consistente (e músicos versáteis) sem desvarios e com muito balanço, e mesmo as músicas mais calmas sabem bem. O concerto no Sabotage mostra Dean com um ar paterno (mas não condescendente) e quase com ar de executivo informal, pois o cabelo meio grisalho, os seus óculos, a camisa sóbria de manga curta e as calças de ganga mostram que é ele que manda, mas mostra também que sem os outros elementos, vestidos de uma maneira muito informal – casual, como está na moda dizer-se – o produto apresentado não seria um bom produto e assim acabamos por passar um bom momento porque é música capaz de nos mexer com os neurónios (mas não nos faz nenhuma descarga energética).

Dean Wareham “curte-se mil” e curte-se com copo na mão; é um concerto excelente para terça-feira à noite. Mesmo com uma toada claramente mais calma pela metade do concerto, o público não poupa nas palmas e eis senão quando aparece um grande momento musical, praticamente só instrumental, que faz abanar a melancolia instalada. “Seventeen Dreams For You” faz hipnotizar, de novo, os presentes, enquanto Britta faz “piscinas” entre o baixo e as teclas passando por uma espécie de maraca. Tudo isto torna as músicas de Dean diferentes umas das outras sem fugir ao estilo geral, e isto põe-o longe do “enfadonhismo”.

Vindo dos Galaxy 500 e dos LunaDean Wareham apresenta o seu trabalho homónimo com grande consistência e brio, já que, mais uma vez, a banda em palco arranca mais um grande momento instrumental que põe o público ao rubro (mas sem atropelos). São momentos instrumentais possantes. No encore, Dean Wareham e a sua banda tocam mais quatro temas que o público reconhece e acompanha vivamente, de tal maneira que o guitarrista pede em plena música a alguém do público que não lhe pise os cabos da guitarra e recebem, depois de agradecerem, um merecido e ruidoso aplauso do Sabotage. Depois? Depois das “máquinas” desligadas, a banda mistura-se com o público, e é aí que apertamos a mão a cada elemento da banda para agradecer a hora e pouco de boa música.