Dan Bejar tinha anunciado faz pouco tempo o lançamento do próximo trabalho do seu alter-ego Destroyer. Sabíamos que se irá chamar Poison Season e que sai em Agosto, mês pouco adequado a sensibilidades tristes, mas não fazia mal porque também já conhecíamos a mui radio friendly “Dream Lover”, que deixa os States a falarem sozinhos e avança descaradamente para a Escócia nos anos 80 e para os Aztec Camera ou para o País de Gales e para as mesmas canções juvenis de Stuart Murdoch e dos seus Belle & Sebastian, e tudo indicava que a melancolia podia passar ao lado do novo trabalho do super-hiper-mega-activo canadiano (The New Pornographers; Swan Lake com Spencer Krug dos Moonface e Wolf Parade; Hello, Blue Roses com a namorada Sydney Vermont e, claro, Destroyer, entre outros). Mas não, Dan baralha e volta a dar e hoje lança o primeiro video de Poison Season, “Girl in a Sling”. E ora cá está ela de volta.
A melancolia regressa aos acordes de Destroyer mas de uma forma pouco triste e em formato requintado, maduro e sublimada por arranjos orquestrais campestres e pastorais. Sem voltar a Kapputt mas também sem embarcar em saudosismos musicais e em formulas triunfantes (a não ser na sua habitual inesperabilidade), Dan continua o seu percurso invejável e muito pessoal ao longo de uma estrada com vista para um chamber pop doce e ligeiramente psicadélico, que aqui em “Girl in a Sling” nos transporta para a mesma América interior e do interior pontuada por uma subtil folk perfeita para uma banda sonora do livro de Kenneth Grahame, The Wind In The Willows, com doses tão equilibradas de misticismo e sonho como de moral e contemplação filosófica.

“Girl in a Sling” é realizado por David Galloway que fala assim sobre o vídeo e Dan:

Bejar sings a lot about cities and girls and injury, sometimes all at the same time. Sometimes they are the same thing, as surreal novelists would have us believe. Besides, people like to see Dan sing – which he doesn’t do a lot of in this video, but he does do a little bit. We wanted to make a video that dealt with central Destroyer themes: to some, Destroyer is a lech; to some, he is an arsonist; to some, he is a savior. To me, he is the consummate comedian, but he resists that role. So we decided to go the opposite way and make something sad, something tragic, something that fits the new record. The adage “comedy equals tragedy plus time” is attributed to Carol Burnett’s mum. Or it might have been Steve Allen. Either way, I always want Dan to do physical comedy, but he resists. He’s a natural, though. He’s the Pacific Northwest’s Buster Keaton, and I hope one day to share that with the world. One day. For now, though, there’s just this sadness. This poison season.