Descem lenta e psicoticamente os créditos finais sobre os Die Antwoord depois de Ninja e Yolandi Visser nos terem dado quatro capítulos discográficos de uma absoluta demência alucinante e insanidade incurável. A caminho do seu quinto e disco final da sua carreira iniciada na Cidade do Cabo corria o ano de 2008 e que dava tempo de antena artística a uma representação literal do movimento contracultura zef – originado nas classes mais baixas da população caucasiana e classes trabalhadores das áreas mais desfavorecidas das grandes cidades -, os sul-africanos vão revelando as derradeiras receitas alienígenas do último registo que conceberão, pelo menos enquanto duo.

Se os Die Antwoord já nos tinham dado para as mãos pasta de peixe e rebuçados maléficos por entre tantos outros artefactos originais e inusitados, agora é tempo de distribuir uma “Love Drug” por todos os fãs para uma despedida que antecipa uma saudade carinhosa de sorriso nos lábios e muito amor desequilibrado. Os beats disparados a velocidade alucinante e tresloucada e o trance de espirais infernais em que se mergulham os desenhos sonoros de ambiência étnica do novo tema já nos são imensamente reconhecíveis e familiares, e vêm desta vez acompanhados por um retrato visual esboçado a lápis de cor, corações e arco-íris, e a letra da canção riscada de forma deliciosamente atabalhoada.

The Book Of Zef será o álbum final dos Die Antwoord e um shot final de estranheza que virá algures em Setembro. Não duvidem que é a sério porque ambos parecem bastante assertivos e determinados em pôr um ponto final no projecto.

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globetrotter, infografista frustrada, seinfeldo-dependente, apreciadora de aviões, perfeccionista ocd e com vários títulos académicos em factos irrelevantes.

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