O ano era 1984. Ao lado de bandas como The Replacements e Prince, a cena musical em Minneapolis estava prestes a colocar a cidade como um dos grandes geradores de bom rock n’roll. Dando um salto ainda maior para essa cena, surgia um outro colectivo, detentor de um grande número de seguidores e que criava um som bem característico próximo do punk rock. Formado pelo baterista Grant Hart, pelo baixista Greg Norton e pelo guitarrista Bob Mould, os Hüsker Dü acabavam de lançar um dos seus mais ousados álbuns – o disco duplo Zen Arcade -, e dois anos e mais dois álbuns depois, saíam da SST Records (editora cujo dono era Greg Gin, ex-guitarrista da mítica banda Black Flag) e assinavam com a Warner Bros., ganhando notoriedade e uma geração de camisetas com o nome da banda após lançar mais dois álbuns. Desavenças contínuas seguidas pela morte inesperada do empresário David Savoy, contribuíram para a separação da banda.

Os Hüsker Dü, que abriam portas para o ambiente punk da época, daquele punk vindo de Long Beach, Califórnia, vinha gravando sob a supervisão do produtor Spot. “Spot era um péssimo engenheiro (de som)”, diz Ken Shipley da editora de reedições Numero, sediada em Chicago e acrescenta que a razão tinha a ver com facto de a banda não ter tido dinheiro para produzir bons discos. Shipley é o responsável por trazer os Hüsker Dü de volta aos holofotes. Em Novembro, a Numero vai lançar Savage Young Dü, uma caixa com três discos aos quais se junta um livro escrito por Erin Osman com 144 páginas, que se baseia na evolução da banda sobretudo no período em que assinavam com a SST. Os três discos contêm 69 faixas gravadas entre 1979 e 1982, incluindo todas as que foram editadas em 7”, “Statues”/ “Amusement” (a qual a Numero relançou em vinil em 2013 como um especial para o Record Store Day daquele ano) e também ‘In a Free Land’, de 1982, assim como uma versão remasterizada do segundo álbum da banda de 1983, Everything Falls Apart, uma versão alternativa de ‘Land Speed Record’, de 1982; assim como uma série de demos, versões alternativas de faixas, versões ao vivo e uma série de faixas nunca lançadas antes.

Difícil encontrar quem não reconheça a grandeza dos Hüsker Dü na história da música, em especial aqueles que amam o punk. Talvez com a exceção de Bad Brains, nenhuma banda hardcore tocava tão ágil e vibrante quanto os . Originalmente, o álbum Savage Young Dü teria 110 faixas, mas Shipley priorizou o trabalho das canções achadas com um antigo dono de uma loja de gravações em Minneapolis. Foram incluídas apenas 69 faixas, lapidadas pela Electrical Audio, renomado estúdio do grande engenheiro de som e músico Steve Albini.

O melhor é que todas as gravações antes de saírem oficialmente em Novembro pela Numero Group, já foram disponibilizadas no site da NPR. Um olhar precioso pela janela do tempo quando três garotos só queriam expressar os seus sentimentos de uma época das suas vidas por meio de uma sonoridade punk rock como nunca antes tinha sido feito. A menos de dois meses do lançamento Grant Hart já não verá o lançamento da boxset. O baterista dos Hüsker Dü faleceu no passado dia 13 de setembro, vítima de cancro.