Aquela máxima que diz “menos é mais” é perfeitamente aplicável aos Minus The Bear. Seattle representa sempre um berço prolífero de bandas que depois oferece ao mundo, e é precisamente desta cidade musicalmente aflorada da costa oeste que nos chega a banda de Jake Snider. Seattle configura também o ponto de partida para reescrever a jornada de um dos grandes nomes dentro do circuito musical.

Os Minus The Bear evitam a palavra hiato para descrever o seu tempo de pausa, já que a banda continuava na estrada por todo o país a tocar para salas lotadas, mas a saída do baterista Erin Tate provocou interrogações sobre que caminho iria ser trilhado no futuro. Faixas que estavam a ser compostas foram descartadas para dar início a uma nova jornada. A entrada de Kiefer Matthias, o novo baterista, imprimiu novas ambições e contribuiu com uma nova visão sobre a direção do próximo disco a ser lançado pela banda.

Com nova formação, agora com Jake Snider (vocais e guitarra), Dave Knudson (guitarra), Cory Murchy (baixo) e Alex Rose (vocais e sintetizadores), a banda lançou a 3 de Março o seu sexto longa-duração que se intitula VOIDS e foi lançado pela Suicide Squeeze Records. Produzido por Sam Bell, que tem na sua lista de contribuições nomes como The Cribs, Weezer, Bloc Party, Two Door Cinema Club, VOIDS vem com um design impresso em ondas sonoras nas quais as letras captam todo o processo de mudança enfrentado pela banda, seja na sua formação ou nas suas vidas pessoais, transformando todas essa experiência em som e transmitindo-0 para todas as frequências. E dessa transmissão foram retirados três singles: “Invisible”, “Last Kiss” e “What About The Boat?”.

A simplicidade em “Invisible” é aquilo que a torna incrível. O poder do tema pode ser sentido logo nos primeiros acordes, como se demonstrasse que os Minus The Bear vão a jogo e o jogo é para valer. É daquelas canções que joga em diversas variações sem comprometer em nada seu desenvolvimento; tem força e energia para saber onde levar os seus riffs e camadas de guitarra – que poderiam durar longas horas. Uma mixagem impecável que não deixa passar nada despercebido; todo o arsenal instrumental está em cada impulso da canção, ressoando limpidamente. Para conseguir recuperar o fôlego, os Minus desaceleram o ritmo em “What About The Boat?” E o que tem este barco de especial? Lados opostos. Uma melodia que evolui em terna sonoridade, contrariando com os pesadelos e desejos desenhados na sua letra, onde os marinheiros Minus acrescentam um novo impulso quando se pensa que a canção está no ponto de cessar.

As novas abordagens musicais e o refinamento têm acompanhado os Minus The Bear ao longo dos 16 anos de estrada; Omni e Infinity Overhead são registos que destacam essa características. Os Minus The Bear mostram que o vazio criativo após seu último lançamento Infinity Overhead em 2012 não subtraiu as qualidades sonoras que os norte-americanos mostraram em seus trabalhos anteriores: muito pelo contrário, só acrescentou. Concorda-se com Knudson, o guitarrista da banda.

Before it felt like we were almost on our deathbed and now it’s one of those moments where there’s a resurrection.

Os Minus the Bear anunciaram uma tour de 29 dias pelos Estados Unidos, contando com os Beach Slang e os Bayonne como bandas de apoio. Mas por aqui vamos descobrir o disco na sua plenitude e dar aquele “Last Kiss” que nos faltava.

 

Minus The Bear Voids Album Art

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