Dizem os anglo-saxónicos que there must be something in the water, referindo-se à aptidão inata e inexplicável de um povo para algo numa expressão frequentemente associada a expressões artísticas. E água é algo que não falta numa mágica Islândia gerada, paradoxalmente, sob um signo de fogo onde, aparentemente, se nasce de forma misteriosa com uma veia musical intrínseca ao próprio ser. Como se a conjugação dos ventos nórdicos e da condição vulcânica da ilha, o isolamento, os géisers e as florestas, as termas e as imperiosas cascatas se entrelaçassem numa tela perfeita cromatizada de lendas e criassem uma fonte inspiração inesgotável.

Ainda não tão mundialmente célebre como Of Monsters And Men, Björk, Sigur Rós ou Múm com quem partilha uma herança identitária milenar, – embora reconhecida e igualmente notável (até porque Dýrð Í Dauðaþögn de 2012, cantado integralmente em islandês, consta como a estreia discográfica mais vendida de sempre, tendo sido o disco sido certificado como tripla platina -, Ásgeir espraia-se num refinado galope pelas extensas e mais inóspitas paisagens da Islândia com as ondulações expansivas da sua música, posicionando-se numa esfera de grandes nomes que marcam de forma inapagável os alfarrábios sonoros do planeta.

“Afterglow”, o tema-título do seu terceiro registo de longa-duração, descendente de In The Silence de 2014 – o segundo cantado em inglês -, continua o caminho trilhado pelos ventos electrónicos e a mudança de direcção proporcionada já pelos anteriores singles “Unbound” e “Stardust”, antecâmaras de uma maior tendência para a experimentação. Disposto em camadas de partículas cristalinas e líquidas de piano dispostas em sintetizadores amplos e folgados, “Afterglow” volta a contar com a participação do pai de Ásgeir, o poeta e colaborador de longa data de Ólafur Arnalds Einar Georg Einarsson, responsável pela grande maioria das líricas do primeiro disco. Afterglow, o disco, sai a 7 de Maio pela britânica One Little Indian.