Um dos motivos por que existem páginas como a Scandipop é a acumulação de cantoras que lideram projectos pop na Escandinávia, região cultural que inclui a Islândia da pioneira Björk, estrela que tem iluminado muitas cantoras e compositoras bem-sucedidas, primeiro na Escandinávia e mais tarde na Grã-Bretanha (domínio da Scandipop), de onde partem à conquista da Europa e, como Robyn, e Lykke Li, do resto do mundo.

A sueca Dotter, que vai lançar o épico single “Creatures Of The Sun” no próximo dia 22, é uma das fadas emergentes daquele filão de intérpretes do pulsante conceito pop escandinavo que concilia a contemporânea e futurista electrónica com instrumentos musicais tradicionais (as percussões, sobretudo) e muitas letras inspiradas na bucólica espiritualidade pagã que idolatra os elementos naturais terrestres e celestiais num conceito musical que também revelou Oh Land, Emilíana Torrini e a finlandesa Olivia Merilahti (que encanta nos The Dø).

Mais uma? Não, Dotter não é só mais uma. Primeiro porque a voz de Dotter tem potência suficiente para a imaginarmos berrando também aos pulos à roda de fogueiras em gélidas madrugadas de inverno e não é qualquer voz que consegue isso. Também porque aquela voz tem um timbre próprio, nas notas mais potentes, estranhamente próximo do de Rihanna – ou talvez não, recordando a ascendência irlandesa daquela -, e de Karin Dreijer (The Knife), mas parecido com o de Oh Land nas notas mais contidas.

Ainda porque letras como a de “Creatures Of The Sun” são explicitamente instintivas, libertariamente animalescas, escritas por uma jovem que cresceu perto de montanhas, na fronteiriça cidade de Arvika. Finalmente, porque, ao contrário de, por exemplo, Lykke Li (que cresceu adorando Madonna, o que a orientou para um visual urbano), a bela vegana Dotter explorou artistas mais ambientais como Enya e os psicadélicos Led Zeppelin que semearam uma preferência pelos 70s, como assume:

My inspiration is always the 70s, but sometimes I don’t think about it so much – it just becomes something that doesn’t sound like anyone else. I grew up surrounded by nature and amongst mountains and I want to bring that feeling into the music. I also wanted to express the importance of protecting and caring for our planet.

E se o cabelo arruivado poderia sugerir forte inspiração em Florence Welsh, a verdade é que foi outro o rumo musical, menos esotérico, traçado pelo produtor Dino Medanhodzic, com quem Dotter criou “Creatures Of The Sun” e as anteriores “My Flower” (single de estreia) e “Dive” e que também orientou o próximo single “Evolution”. E, aspirando seriamente ao sucesso nos mercados britânico e norte-americano, a sueca já colabora em Londres com o produtor Michael Angelo, que ajudou a lançar Sam Smith e reconheceu o potencial da jovem que a God Is In The TV prevê que “com certeza será celebridade global brevemente, além de ser a próxima ‘daughter’ favorita da Suécia”.

É, pois, uma estrela em rápida ascensão que a Tracker vos apresenta nessa empolgante “Creatures Of The Sun”.