O Sabotage tem-se estabelecido como um dos espaços recentes de confiança de Lisboa: boa música, bons concertos, bom ambiente.  E o concerto de dia 12 de abril foi mais uma confirmação: Dreamweapon e 10.000 Russos, duas bandas que partilham membros de formação e ao mesmo universo musical, psicadélico, energético e ritualístico.

Coube aos Dreamweapon abrir a noite. Pessoalmente, tinha ficado a ouvi-los durante muito mais tempo fosse pela atmosfera criada, fosse pela energia carnal (lamento a expressão “energia carnal” – não encontrei outro modo de explicar a sensação, enfim…). Um excelente concerto. Quero ver mais, sinceramente. Sem merdas, atiraram-se às músicas como se fosse a primeira e a última vez que as iriam tocar. O público, descontrolando-se progressivamente, e tinha sido um momento raro.

Acabado o concerto, saindo o trio do palco com um ar muito mais entediado do que seria de esperar – pensando no gozo que deu ouvi-los, espero que tenham o mesmo a tocar -, música sim, bêbado não, entraram os 10.000 Russos em palco e fomos reenviados para esse tal mundo ritualístico, mais atmosférico e, desta feita, menos agressivo; não indo tão directamente às entranhas, mais ao cérebro, mais matemático, a exigir um outro tipo de atenção, talvez mais fria. A destacar as fantásticas linhas de baixo, a darem chão a tudo o resto.

No final, discórdia sobre qual o melhor concerto. Ainda bem. Estas noites, que continuam a sofrer com falta de público (que, mais tarde, se queixa, na sua generalidade, de não existir oferta na cidade), são, por muitos motivos, importantes e úteis mas servem muito para que se perceba, de uma vez por todas, que existem muitas bandas boas a tocar neste momento, bandas que dão vontade, a quem assiste, de começar também uma, por inveja ao talento.