O fumo ofusca o negro das vestes, a luz escasseia, o baixo encabeça os riffs porque o post-punk não morreu com Ian Curtis, nem mesmo com Adrian Borland. Ainda hoje se erguem a força, a frustração, a dor e a paixão. A prova tem sido dada pelas nossas terras tanto pela música nova como por quem a traz até nós como A Comissão e a Muzik Is My Oyster. Atacam de novo com o one day festival Post-Punk Strikes Again que irá acontecer nos próximos dias 16 de Setembro em Lisboa, na Caixa Económica Operária e no dia 17 de Setembro no Porto, no Hard Club.

Lisboa: Brandenburg (RU); Japan Suicide (IT); Whispering Sons (BE); Bleib Modern (DE) e Morte Psíquica (PT)

Porto: Brandenburg (RU); Japan Suicide (IT); Whispering Sons (BE); Bleib Modern (DE) e Alma Mater Society (PT).

Brandenburg (RU)

Grupo new wave/post-punk independente de editoras (como tanto gostamos) que nos dá música desde 2010 directamente de Moscovo. Com uma quantidade de música já considerável apesar de uma carreira tão curta, é rara a banda que mostre uma diversidade de sonoridades tão interessantes e que, acima de tudo, se mantenha imprevisivelmente coesa, encontrando sempre um fio condutor entre todos os seus trabalhos. Os Brandenburg surgem num contexto contemporâneo interessante, com influências incontornáveis como os seus conterrâneos Motorama (já trazidos pelas mesmas equipas que organizam agora este evento,) e absorvem isso de maneira bastante positiva. “Mist”, single lançado dia 05 de Junho, traz-nos guitarras acústicas, sopros e mais alterações sonoras mantendo, contudo, a sonoridade tranquilamente densa e de atmosfera rebuscada. Sem dúvida, um dos destaques do evento.

Japan Suicide (IT)

Directamente de Terni, os Japan Suicide afogam-nos no seu som darkwave, nas suas atmosferas irrigadas com paixão e reverb. Synths, guitarras melosas, um baixo presente e uma bateria sistemática criam faixas abrangentes e imersivas. O post-punk em Itália está em força e os Japan Suicide não são menos prova disso do que os Soviet Soviet, por exemplo. Apresentarão, certamente, o seu mais recente disco We Die In Such A Place de Maio de 2015.

Uma grande lufada de ar fresco no panorama internacional do post-punk, com incorporações brilhantes e composições mais imprevisíveis. A expectativa cresce em torno deste concerto que certamente não desapontará.

 

Whispering Sons (BE)

De génese na Bélgica, em 2013, os Whispering Sons são a enigmática personificação sonora da ansiedade, do nervosismo e da exteriorização de tudo isso. Ao conjugar o post-punk com o shoegaze, garantem a criação de uma atmosfera arrasadora e poderosa. Com uma tão curta história, marcam já o registo de dois EPs: o homónimo e o mais recente Endless Party cuja edição física em cassete e vinil já esgotou duas vezes, aparecendo agora uma terceira em vinil transparente. Depois de uma tour bastante ocupada e até de uma abertura para os DIIV, os Whispering Sons prometem um dos concertos mais fortes e atmosféricos da noite. Para além disso, são uma banda com uma perspectiva de futuro forte, com ambições claramente evidentes e uma identidade extremamente definida. De seguir, incondicionalmente.

Bleib Modern (DE)

Os alemães Bleib Modern datam a sua criação em 2014 e em apenas dois anos já nos contemplaram com quatro registos de estúdio (2 LPs, 2 EPs). Com a tradição alemã de boa arte e boa música, a banda aparece rodeada de bons ares. Chegam-nos com um post-punk repleto de melancolia, marcadamente grave e ecoado, com uma produção interessante e um excelente sentido melódico. Apercebemo-nos de travos a noise, shoegaze e coldwave mas sem dúvida que a base composicional se assenta sobre o post-punk na sua essência.

Morte Psíquica (PT) exclusivo LX

Post-punk made in Portugal (Uffgh, que bom sentir isto…..). Directamente de Évora são, curiosamente, a banda com mais anos de história do festival; já cá andam desde 1993. Desde então gravaram uma série de demos e em 1995 entraram em hiato. Vinte anos depois, a banda ataca com o seu primeiro LP Fados do Além. Estamos diante de uma verdadeira banda post-punk, com toda a presença inerente. Talvez pela data da sua criação, apresenta-se a banda com a sonoridade mais revivalista do que era o género nos anos oitenta.

Alma Mater Society (PT) exclusivo Porto

Um power-trio de post-punk nacional, o que pode correr mal! Com a influência assumida dos The Sound – e uma cover sentida que têm de “Skeletons” -, os Alma Mater Society têm uma presença bastante interessante, pouca informação e mediatismo online, mas com concertos classificados como arrepiantes e emocionantes, o que os torna intrigantes de uma forma peculiar. Aguardamos temas como “Last Dance” e queremos recordar Borland e companhia em “Skeletons”. Nós já os vimos e garantimos que são uma das bandas mais interessantes em Portugal neste momento.

Sad Lovers And Giants + Alma Mater Society, melhor que revivalismo e mais que gótico.

É fantástico poder ver tudo isto a acontecer em Portugal neste momento. A cultura underground anda efervescente como deve andar, deve crescer, intervir e recordar as suas referências. Citando o filme 24 Hour Party People: “Ian Curtis era o equivalente musical a Che Guevara”. Pois bem, não será que precisamos de malta mais revolucionária na música dos nossos tempos? Tanto estas bandas como as equipas que organizam o evento fazem por isso, evidentemente. Apoiemos, indo!

Post-punk Strikes Again LX

Post-punk Strikes Again LX

Post-punk Strikes Again PT

Post-punk Strikes Again PT