Activista, para além de cantora e cineasta, M.I.A. é já sobejamente conhecida pelas suas canções de protesto de forte pendor político – lembram-se do já “velhinho” “Paper Planes” de 2007 que denunciava a visão estereotipada dos imigrantes e a agressividade de que são, ainda, alvo, ou do vídeo realizado pela própria para “Borders“? -, autênticos manuscritos anti-violência redigidos em forma de letras, geralmente entregues num rappado de tom irónico e sarcástico envolto numa experimentação exótica de beats electrónicos e hip hop.

Sempre atenta à actualidade e de ponta da caneta pronta para alinhar nas letras das canções críticas dilacerantes aos acontecimentos que se intercalam dando assim os contornos actuais ao estado do mundo, M.I.A. lançava o tema “Damascus” numa altura em que os EUA tinham há poucas horas bombardeado a Síria num ataque que, à excepção dos seus mais aliados mais directos, apanhou o mundo de surpresa. São explosões, o barulho cheio e quente das bombas a cair e sirenes agudas que espelham um verdadeiro cenário de guerra, como aquele que desenha actualmente a Síria, nas teclas que reproduzem riffs repetitivos e circulares que servem de base à voz ligeiramente mecanizada de Mathangi Arulpragasam.

Dropping bombs in Damascus.
(…)
Who the fuck is ISIS?

“Damascus” fazia inicialmente parte de AIM – o último álbum de M.I.A. lançado em Setembro passado -, mas acabou por ficar de fora do alinhamento do disco, parece que esperando o momento mais apropriado.