Enquanto aguardamos pela erupção definitiva, os Temples vão desvendando o cume da montanha e esta é mais uma revelação: “Strange Or Be Forgotten” é a segunda canção conhecida de Volcano, segundo álbum dos britânicos.

Segundo o baixista Tom Warmsley, a inspiração para o tema surge das expectativas que muitas vezes são impostas aos artistas:

We’re continually inundated with pressure in modern life to have to make something of ourselves and leave behind a legacy in this world. “Strange Or Be Forgotten” is our way of questioning the necessity of having to be all so individual and unique—when really it’s our true selves that should be celebrated.

Os Temples abrem assim a porta a uma discussão interessante: de forma a perdurar na história, será necessária a estranheza (ou, no mínimo, a diferença em relação aos pares)? A resiliência de Frank Zappa ou Captain Beefheart com a sua Trout Mask Replica parecem sustentar a verdade da premissa, mas fica a sensação que a questão é mais profunda que isso.

No entanto, e ironicamente face às declarações de Warmsley, o que encontramos em “Strange Or Be Forgotten” é nada mais, nada menos que os Temples como os conhecemos em Sun Structures – distintos das outras bandas do neopsicadelismo, mas verdadeiros face a eles próprios. Sim, há mais electrónica à mistura, mas a loucura sintetizada nunca chega aos níveis de “Certainty”. Mais importante, o cruzamento suave das melodias pop com as avarias psicotrópicas continua a ser o forte do quarteto, tudo com a estrutura da canção como prioridade.

Embora não esteja já ao virar da esquina, fica assim devidamente aguçada a curiosidade para o longa-duração. Volcano é editado a 3 de março pela Heavenly Recordings e Fat Possum.