Proveniente das sempre místicas e misteriosas paisagens da Noruega, a vocalista Susanna Wallumrød é conhecida pela beleza serena do seu timbre e magistralidade suave – mas não frágil -, das composições que adorna com a voz. Contando já com uma carreira extensa, Susanna conta já com dez discos, cinco dos quais registos a solo e outros tantos com uma série de projectos colectivos.

Com a Magical Orchestra, que integra juntamente com Morten Qvenild, Susanna tem feito a sua espécie muito nórdica de chamber pop, encontrando pontos de convergência com artistas tão diversas como Kate Bush, Imogen Heap e Lykke Li, onde as paisagens encantadas e sonhadoras do imaginário isolado e frio da sua região se encontram com o registo morno e quase celestial da sua voz.

Indo buscar os grandes cânones da música coral, da soul e do jazz, Susanna e a sua Magical Orchestra são conhecidos pelas suas límpidas composições. mas também pelo tratamento que têm dado a temas de artistas tão diversos como Joy Divison e AC/DC.

Entretanto, as suas aventuras a solo encaram-se um pouco mais abstractas e introspectivas, encontrando o toque frio e maquinal dos beats electrónicos e as influências do synth pop, ainda que aqui encontrem uma aura ligeiramente mais soturna do que propriamente vibrante. Triangles será o mais recente álbum da vocalista e já tem saída marcada para 22 de abril. O disco é uma aventura interior, pessoal e analítica, que se confronta com medos e incoerências, sendo descrito como “música soul para almas perdidas”. Para além do seu modo íntimo e confessional, Susanna arranja também tempo para encontrar a filosofia, sendo um disco que se debate fortemente com questões humanísticas e com o eterno diálogo Natureza vs. Humanidade, tema tão próprio da imagética nórdica com que a cantora encontra aqui um registo electrónico e orquestral, regado a alma celeste.

Entretanto, já se pode escutar o primeiro avanço do disco, “Hole”, um tema assombrado e quebrado, proveniente da escuridão do medo e do medo de cair na escuridão. Mantendo a tendência seguida pela artista, o tema adensa ainda mais a temática do combate e do debate, ao mesmo tempo que abre progressivamente portas a novas explorações sónicas mais negras e brutas, presentes elas mesmo no disco que está para lançar.