O The Man In Black deve estar feliz e orgulhoso lá do outro sentado numa cadeira de balouço no alpendre do além, sensibilizado, até, e com vontade de ir celebrar com os vivos no saloon mais próximo. Johnny Cash desapareceu desta dimensão em Setembro de 2003, deixando aos terráqueos a herança de uma carreira de quase 60 anos, dezenas de discos e centenas de gravações, deixando uma marca indelével na folk, no country, no rock n’roll e em todas as variantes dos géneros.

Johnny Cash deixou, além de tudo mais, uma série de textos, poesias e cartas com o destino final a ser endereçado a canções que nunca foram escritas. São essas relíquias sem som que John Carter Cash, filho de Johnny e June Carter Cash, reuniu e transformou em Forever Words, um disco que mais que um tributo à memória de seu pai, é um prolongar palpável da sua obra, com a ajuda de Steve Berkowitz, o homem que levou Jeff Buckley para a Columbia, editora pela qual viria a gravar Grace, o seu único disco de originais em vida.

Um dos nomes envolvidos nas gravações das palavras de Cash é Elvis Costello que converteu um desses textos naquilo que facilmente se entenderia como algo que saído da pena do compositor inglês. Tal como refere em entrevista à Rolling Stone,

The folio of lyrics was before me on the kitchen table, and there was one lyric that was thought to be one that might suit me. And then I was glancing through the folio and that particular lyric was there on the page, and the next thing I could hear it in a very unusual way…

I knew right away it wasn’t to be played. You could hear his musical voice on many of the lyrics on the page, but not this one; not to me anyway. I heard something completely different. In this case, I just went downstairs to the upright piano and pretty much wrote what you hear in 10 minutes.

Costello escreve assim, sob as palavras de Cash, uma canção luxuriante a violinos, pianos e arranjos inspirados nos anos dourados de Hollywood, como em muita da sua obra. “I’ll Still Love You”, que seria originalmente uma declaração de amor de Johnny a June – June tinha falecido apenas 4 meses antes do seu marido -, passa a ser uma declaração de amor de Elvis a Cash. Um amor em technicolor na tela de um cinema nos anos 50.

Forever Words sai no dia 6 de Abril e conta já também com “You Never Knew Me” – que foi uma das nossas músicas da semana de 5 de Março -, uma das últimas gravações de Chris Cornell, dos Soundgarden antes da sua morte em Maio do ano passado. No disco vão estar também nomes como Willie Nelson, a filha de Johnny, Rosanne Cash, Jewel e John Mellencamp, entre outros. Alinhamento completo em baixo.

Johnny Cash: Forever Words
1. “Forever/I Still Miss Someone” – Kris Kristofferson and Willie Nelson
2. “To June This Morning” – Ruston Kelly and Kacey Musgraves
3. “Gold All Over the Ground” – Brad Paisley
4. “You Never Knew My Mind” – Chris Cornell
5. “The Captain’s Daughter” – Alison Krauss and Union Station
6. “Jellico Coal Man” – T. Bone Burnett
7. “The Walking Wounded” – Rosanne Cash
8. “Them Double Blues” – John Mellencamp
9. “Body on Body” – Jewel
10. “I’ll Still Love You” – Elvis Costello
11. “June’s Sundown” – Carlene Carter
12. “He Bore It All” – Daily and Vincent
13. “Chinky Pin Hill” – I’m With Her
14. “Goin’, Goin’, Gone” – Robert Glasper featuring Ro James, and Anu Sun
15. “What Would I Dreamer Do?” – The Jayhawks
16. “Spirit Rider” – Jamey Johnson