EMA - The Future's Void
60%Overall Score

“Abram os Satélites”, pede-nos EMA. Começamos, assim, este The Future’s Void. Olhando para este título de primeiro tema, é inevitável vir-nos à memória uma frase como “Ground Control To Major Tom” ou um título como “Satellite Of Love” e chega-se a sentir uma grande esperança, no disco e em toda a Humanidade. “É agora que tudo muda para melhor”. Mas depois fazemos play. Há, de facto, a vaga sensação de que estamos a dar início a uma viagem. Existe um enredo. Implora-se “Open The Satellites”, depois ordena-se, depois a ordem é acatada, e se isto pudesse ser o Tomo II do “Starman” do Bowie, era obviamente pós-Nine Inch Nails.

EMA não é propriamente novata nesta andanças. Depois dos Amps For Christ (durante os anos 90) e dos Gowns (já no novo século), o disco a solo Past Life Martyred Saints deu-nos a conhecer uma Erika M. Andersen crescidinha, a saber muito bem qual era o caminho que haveria de percorrer, sempre com a sua guitarra que já marcava as bandas por onde passou, ora distorcidas ora num unplugged à la The Breeders ou The Amps. Mas este talvez seja um daqueles casos em que a editora faz toda a diferença. É que se Past Life Martyred Saints estava sob a alçada da humilde Souterrain Transmissions, este The Future’s Void vem com o carimbo da Matador.

É um salto quântico no que toca aos arranjos que determinam a ambiência do novo disco de EMA. Mas há outra coisa que se revela logo ao segundo tema. Esse que dá início ao que calculamos que seja a atirar para os Phantogram e pouco depois não pode não ser comparado aos The Kills. Sim, a voz de EMA remete-nos para a de Alison Mosshart, a VV, mas sem a guitarra de Hotel (Jamie Hince). De qualquer das formas, dá ânimo para prosseguir. E ainda bem. “3Jane”, o terceiro tema, é uma balada a puxar o romantismo adolescente que possa porventura estar adormecido. O quarto tema é aquilo que se convencionou apelidar de “fora do baralho”, do disco propriamente dito ou de qualquer outro, por sinal. No tema “Smoulder” voltamos à revolta incontida que pautou o início do disco e a sexta faixa,

“Neuromancer”, leva-nos a um tempo em que os Einsturzende Neubauten ou os Young Gods ditaram algumas leis. “When She Comes” é talvez demasiado melódico para este disco. Será, porventura, um daqueles temas que entra nesta ou naquela mixtape sem que o seu detentor chegue a conhecer um disco de lés-a-lés. O que diz muito sobre este álbum. É um esforço bem conseguido, sem qualquer margem para dúvida. Mas está condenado a desvanecer-se com o tempo. Dos três últimos temas do disco, talvez só “Solace” desperte a devida atenção. “100 Years” e “Dead Celebrity” (oh, the irony) são inóquos. Não se pense que queremos retirar importância ao segundo disco de EMA.

Comparativamente ao seu debut, este é um objecto bem pensado e eximiamente executado. E já vimos surgirem cultos por menos.

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