O duo espiritualmente consistente com a sua música entra novamente de fininho, com as suas sonoridades etéreas e ondulantes no nosso quente verão.

Numa entrevista realizada por Charlie Rose, com direito a duas performances, os Beach House falaram com transparência sobre o seu processo de criação musical e a própria postura em relação à indústria. O ano de 2015 foi marcado por dois harmoniosos filhotes, sendo o primeiro o bem recebido álbum Depression Cherry seguido de Thank You Lucky Stars, dois meses depois em Outubro. Assumindo uma atitude de constante criação que, ainda assim, não deixa de ser descontraída, o guitarrista Alex Scally refere os icónicos The Beatles, notando que também eles lançavam álbuns novos constantemente.

A dotada vocalista de timbre calmo Victoria Legrand, com músculo de nos fazer elevar imperceptivelmente ao sonho, terá conhecido Alex na varanda da casa dos pais do amigo. Uma imagem inevitavelmente idílica de um verão americano, algures num ‘porch‘ em Baltimore. O que poderia correr mal? Passada a dúzia de anos, os Beach House continuam a abeirar-se de nós, ondulantes, cada vez mais acutilantes e sensórios.

Não sendo necessariamente surpreendente, é refrescante ouvir Victoria defender que “a fama é um caminho perigoso” enquanto objectivo para qualquer banda, sendo apoiada pelo parceiro de aventuras, ao explicar que o que pretendem é que a sua música seja ouvida, mantendo-se afastados de qualquer divulgação social e mediática que distraia da mesma. No entanto, a importância que dão ao contacto e sintonia com o público é notória, e podemos dizer que necessária para quem está a partilhar o momento em concerto; queremos sentir a sua presença e ser impregnados de uma forma com certeza impossível de alcançar a distâncias menos intimistas.

Sempre foi muito natural, sem um passo ao lado.“, reflecte Alex sobre como a sintonia entre os dois fluiu desde esse encontro, sem demasiadas pressões. Com um cuidado especial para manter o processo e a música o mais autêntica possível, esforçam-se por manter o que pode chamar a ‘integridade musical’, não cedendo a tentações comerciais. Acima de tudo, “respeitar a besta” – o material, uma cor emocional que brota e que, mesmo que não seja visível, deve ser sentida e preservada. Um caminho de tacto e expressão sensível que nos alegra conhecer apesar e, principalmente, por causa da crescente notoriedade e expansão da banda, continuamente puxando pelas camadas sonoras sem se desviarem do core, da besta, essa que no fundo, é o que nos apela também.