A adaptação de um clássico, seja ele de que vertente artística for, pode trazer inerentemente determinadas polémicas: os puristas argumentarão que apenas o original importa e aqueles com mentalidades mais abertas estarão mais dispostos a aceitar variações num tema que, certamente, poderá ser querido e especial para muitos.

É assim na música, é assim no cinema, é assim na literatura, é assim na televisão. E o ano de 2017 traz-nos a adaptação de um clássico do mundo manga e anime, o reconhecido Ghost In The Shell, de Masamune Shirow, aqui numa produção hollywoodesca com Scarlett Johansson como principal figura de cartaz. Mas as adaptações de clássicos não se cingem ao visual; também na banda sonora que acompanhará o filme – e que está bem presente no trailer do filme -, há uma interpretação da intemporal “Enjoy The Silence”, dos Depeche Mode, pelo vocalista e produtor Ki Theory. Nas suas mãos, este clássico da música electrónica ganha uma roupagem mais downtempo, mais chillout, mas sem perder de vista o original nem renegar tudo o que a tornou eterna. Quase como se Chris Corner, o génio por trás de IAMX e ex-Sneaker Pimps, tivesse um dia decidido fazer uma cover da música e este fosse o resultado.

Tudo dito, clássicos são clássicos, e as interpretações várias a que são sujeitas apenas o tempo dirá se foram ou não dignas. Visualmente, Ghost In The Shell faz aguçar os sentidos. Musicalmente, uma interessante e capaz versão de “Enjoy The Silence” prenuncia uma banda sonora a seguir com interesse. E, talvez por que assim quis o destino, é como um presságio para um 2017 profundamente Depeche Mode, com a edição do novo álbum de nome Spirit e uma nova visita aos nossos palcos, no NOS Alive ’17.