Se há momento essencial em 2017 para as almas conectadas a paletas de som que se movem entre os aromas campestres da folk e de subtis incursões por um psicadelismo revestido por blues e a tonalidades mais escuras, são as duas datas do norte-americano Ryley Walker a sul e a centro do território. Ryley regressa menos de um ano depois de um começo de tarde em Coura na edição #24 do Vodafone Paredes de Coura e as salas que abrigam as canções espessas do músico do Illinois são a Galeria Zé dos Bois em Lisboa e o gnration em Braga nos dias 12 e 13 de Abril; ou seja, já nos próximos dias.

Uma carreira relativamente curta mas que em apenas seis anos deixou já uma série de registos. Quatro álbuns, três EPs e colaborações com nomes da cena experimental e do jazz da cidade de Chicago – berço adoptivo de Walker desde 2010 -, como Bill MacKay ou Jeff Parker dos Tortoise, demonstram por A mais B que Ryley Walker não é apenas mais um songwriter e que mesmo com a escrita enraizada na folk, isso é apenas um ponto de partida para várias outras deambulações e incursões por territórios menos lineares em termos estruturais.

Ao longo de toda a obra de Ryley encontram-se paralelismos aos trabalhos exploratórios de Jim O’Rourke, David Grubbs, Sam Prekop e Gastr Del Sol como aos seus contemporâneos Kevin Morby e Cass McCombs, provando assim ser um tapete mágico e aberto a uma série de públicos e viagens. Ryley é um nome essencial e a não deixar passar em branco.

Golden Sings That Have Been Sung é o disco de 2016 lançado pela Dead Oceans sobre os quais deverão incidir os concertos de Lisboa e Braga. Um disco admirável e único na safra do ano que passou. Esta é “The Roundabout”.