Braga pode não ser dos lugares mais quentes, mas a música deste quarteto fria não é de certeza. Composto por Fernando Polícia (voz), Tiago Calçada (guitarra), Hélder Azevedo (baixo) e David Costa (bateria), este grupo segue-se pela curiosa denominação de Bed Legs e são um quarteto poderoso que toca nada mais nada menos que o bom e velho blues. O omnipresente e lendário género é conhecido pela sua estrutura fixa e identidade que não muda e a banda nortenha compactua a 100% com esta “casmurrice”. Temos a voz quente e rouca, as histórias loucas de abuso e mulheres, e os mesmos riffs e breakdowns de sempre que incapacitam qualquer tipo de dúvidas em relação ao que se ouve. A missão dos Bed Legs passa longe de ser diferente ou tentar inovar alguma coisa, mas enraíza-se antes noutra muy nobre causa: manter a electricidade a agressão vivas.

Verdades sejam ditas que o blues sob a tutela deste quarteto surge fresco e jovial com a ginga desta malta jovem, a energia e experiência de um corpo de músicos talentoso e uma muito particular voz que vem trazer um bem apreciado toque de soul e funk à mistura. Não grandes enigmas e conceitos por detrás do som e do mote dos Bed Legs, nada é demasiado complicado e banhado em subtexto, há só bastantes decibéis e vontade de estrago. O grupo acaba de lançar o primeiro longa duração, Black Bottle, e entrega-nos um recipiente de suor e sangue pretos do qual as pessoas “vão ter de beber”. De canções vistosas como “Wrong Man” ou “Vicious”, até a baladas pesadas e muito temperadas como a epicentral “Black Bottle”, o disco é um compêndio blues rock cantado pela genica da juventude. Os desgostos amorosos e os trambolhões pela vida são trocados por sonantes uivos e guitarras suadas, sem grande compromisso. O que vemos é o que temos, e a simplicidade quadrada mas equilibradamente molhada dos Bed Legs é simultaneamente o encanto e a característica central do grupo.

A banda encontra-se neste momento a fazer aquilo que dizem ter mais ganas neste momento, que é deixar as entranhas no palco enquanto apresentam o primeiro disco ao país. Tal como em registo gravado, a fúria, a straightfowardness e a atitude transportam-se para o palco num espectáculo que é suposto ser divertido para quem o vê e para quem o dá. Visivelmente entretida e divertida em poder estar a tocar as suas canções, a banda tem como olho do furacão o vocalista Fernando “Ferna” Polícia. Ferna é uma espécie em extinção de um vocalista, um que não pretende ser discreto, que gosta de pular, que agita as hostes e em todo o momento vê espectáculo e fantasia. Olhar para o rapaz e para a sua virtuosa voz é ver um performer à moda clássica, um artista que assume o seu papel de entertainer ao mesmo tempo que sente a sua música e sabe dosear a seriedade e autoconsciência. Enquanto isso, leva tudo à frente.

A atitude vincadamente recta e sem peneiras que se vê no som do grupo é também facilmente encontrada no conjunto como pessoas. A Tracker Magazine encontrou-se com Ferna e Tiago na Louie Louie do Chiado e encontrou um duo relaxado e invariavelmente divertido apesar do cansaço proveniente de um dia de viagem e assuntos relacionados com a imprensa. Conversou-se sobre as origens dos Bed Legs, do seu nome e como o grupo está aqui para se divertir e fazer divertir. Entre histórias lendárias na Arménia banhadas em punk rock uma reivindicação de uma estrutura cultural que “embora melhor” precisa de crescer ainda mais em prol de auxiliar os artistas e a sua divulgação, os Bed Legs abriram a Black Bottle e deixaram verter.

Antes de tudo, como surgiu um nome tão peculiar como vosso?

Beds Legs nasce num tom de brincadeira porque nós na altura íamos participar num concurso de bandas a Coimbra e pediam nome. Pensamos em Blazers, mas era o nome de uma equipa de basketball. Gostávamos de Raindogs mas já existia esse nome. Decidimos depois Badlands, mas alguém não gostou. O baixista disse na brincadeira Badlegs, depois alguém na brincadeira disse Bad Legs mas com um “e: Bed Legs. E nós: ‘Fica assim, é estúpido’. Por acaso até somos quatro como as pernas da cama. Foi em tom de brincadeira mas depois ficou uma coisa seria. Acabou por pegar, não foi nada conceptual. – Ferna

É curioso porque as pernas da cama lembram algo muito estático, o que não é de todo um adjectivo para vos descrever…

Há pessoal que nos chama os perninhas (risos) – Tiago

Contem-nos um pouco da História dos Bed Legs

Eu, o Fernando e o David já tínhamos tido uma banda de secundário. Depois a vida muda, fomos para a universidade, cada um foi para um cidade diferente, eu acabei por ir para o estrangeiro… Depois por aí em 2011, penso eu, surgiu uma coisa nova. Eu já conhecia o Helder e ele estava sempre a dizer, ‘epá, quando voltares para Portugal vamos dar uns toques’.  Eu entretanto apresentei o David ao Helder e eles já tinham começado a tocar juntos. E então basicamente quando eu voltei nós os três começamos a fazer umas coisas. O Fernando estava nas Caldas da Rainha a estudar e pensamos ‘podemos chamar o Ferna a ver se ele encaixa nisto’. Chamamos o Ferna boy e fizemos dois ou três ensaios. Na altura era mais complicado. – Tiago

Eu estava a estudar [até Braga] e vinha de propósito para vir ensaiar com eles. Nas primeiras vezes eles já tinham para aí dois temas ou três começados. Ideias do Helder. Houve temas que eles desenvolveram juntos – a Lonely e a Desire – que vêm do sotão. Depois começamos a trabalhar todos. Eles pensaram em mim do género ‘bora chamar o Ferna, ele é vocalista, é mesmo só para isto, só para cantar’. Então vim cantar, adaptei-me aos temas que já estavam a fazer e depois criámos temas novos, temas que já se podem ouvir no EP [e agora no primeiro disco]. – Ferna

A música dos Bed Legs não se esconde nem deixa grandes espaços para dúvida. É um blues rock directo e assertivo. Como foi o processo de se juntarem e escolherem o som que queriam para a banda?

Não foi propriamente escolha. Veio das influências que todos temos. Eu o David e o Fernando temos muito rock, blues e funk. Curtimos bué de funk. O facto de nós curtirmos essa onda e o Hélder ser um gajo assim um bocado do rock mais pesado [foi importante]. Se calhar se tivéssemos outro baixista seriamos uma banda funk. Não foi nada propositado, mas se calhar a junção com o Hélder foi interessante porque se calhar puxa-nos um bocadinho mais para o rock. O Hélder é o rocker da banda. – Tiago

O baterista, o David, curte bué de tocar funk na bateria. Eu acho que o rock é onde nos temos mesmo aquela química. Começámos a tocar… foi uma coisa bué quadrada. Começámos a compor temas com distorção e com batidas quadradas e a coisa que me vem mais a cabeça é o rock. Claro que a dar o cheirinho de outros estilos que nós gostamos. Eu gosto muito de ouvir soul, a minha voz logo não é tãoo fria, é mais quente. É uma mescla. Dentro do rock nós conseguimos incorporar pormenores de outros estilos musicais. Mesmo o timbre da guitarra que o Tiago saca, não é um som de AC/DC. – Ferna

Não é propriamente pesado é mais quente. – Tiago

É outro tipo de som, mas dentro daquela estrutura que é o rock. – Ferna

E como foram essas primeiras vezes que começaram a tocar a e ensaiar?

Criou se logo a vontade de continuarmos a tocar. Não foi aquela cena tipo ir para casa e pensar: ‘ que cena estranha, acho que não quero voltar a tocar com eles…’. Ficamos entusiasmados, quisemos voltar a tocar juntos e marcar mais ensaios. Desde cedo, houve química. – Ferna

Visto que vocês vêm de um polo especialmente prolífero a nível cultural e especialmente musical, sentem que cada vez mais se pode falar de uma autêntica comunidade artística em Portugal? No que toca ao contacto e ao intercâmbio?

Começa a haver mais. A aprendizagem e a mútua influência acontece com bandas que têm muita iniciativa.  Agora acho que cada vez há mais disso, mas acho que cada cidade é o seu mundinho e cada cada cidade tem os seus mundinhos. Acho que ainda não há um intercâmbio livre. Começa-se a ouvir mais musica portuguesa do que a uns anos atrás porque as nossas referencias eram maioritariamente internacionais, mas mesmo bandas antigas portuguesas só agora e que estão a passar para formato digital e começas a perceber a historia da musica portuguesa moderna. Mas sinto que não existe assim uma coisa grandiosa em termos de intercâmbio. – Ferna

Principalmente no que toca a ajudar à divulgação dos artistas…

Ainda têm que ser as bandas a procurar os concertos. Nós somos um bocado preguiçosos nisso e devem haver muitas bandas como nós. Às vezes temos mais iniciativa, outras temos menos. Mas há pessoas que se dedicam mesmo só para isso. Agentes já existem, sempre existiram mas esse trabalho, essa área… Os artistas não se querem dedicar a isso, querem é criar. Só que eles próprios têm de fazer o trabalho duplo de criar, de programar os concertos, de preparar tudo… É preciso pessoas que compreendam esse lado e que convivam e se dediquem mais a isso. Os artistas têm de fazer esse trabalho todo. Dentro do meio artístico não pode haver só artistas. São precisas pessoas que gostem e divulguem a arte. – Ferna

Gostariam de discutir algumas influências e mentores? Mesmo fora daquilo que é a árvore genealógica do som dos Bed Legs

Para o som dos Bed Legs eu não diria que haja mentores ou influência directa. Curtimos todos de Led Zeppelin mas não quer dizer que Zeppelin seja uma influencia directa do que nós fazemos. É claro que está… mas se calhar cada um tem mais as suas influências marcadas e apontamos à mescla. Eu cresci com os clássicos: Pink Floyd, Led Zeppelin, Hendrix, Red Chilli Peppers até Californication, sou fanático… A nível de bandas portuguesas, os Zen do Porto. E a nível pessoal, a nível da minha formação como musico, os Spazma, que foi a banda que eu tive antes e onde aprendi muito. – Tiago

Nós somos maioritariamente autodidactas, nós é que temos que encontrar os nossos livros, os nossos artistas, os nossos mentores. Há sempre artistas que espreitam por detrás da cortina. Ele está a fazer um solo e se calhar estão o Hendrix ou o Page a espreitar atrás da cortina. Eu estou a cantar se calhar posso puxar o Joe Cocker. Podemos referenciar aqui grandes nomes. Mas todos aqueles clássicos, aqueles power trios e quartetos… Pantera, Rage Against The Machine, todas essas bandas com atitude. Ouvimos todos esses clássicos mas fora do rock também ouvimos os grandes clássicos. Porque essa atitude eléctrica, a atitude rebelde existe mesmo fora do rock. Noutros géneros musicais. – Ferna

De que forma é que o tão conhecido e estabelecido imaginário lírico do blues rock se relaciona com os Bed Legs e como é que vos reflecte como pessoas?

Há muito romantismo. Reflecte a fase que nós passámos. Não foi muito interventiva, não andávamos aí a lutar pelos nossos partidos. Foi uma fase mais pessoal, com problemas pessoais, problemas amorosos mesmo, andávamos sem dinheiro, todos fodidos, com vícios… era uma coisa verdadeira. Eu escrevo as letras por isso falo um bocado mais de mim mas tenho a noção do que eles passaram, porque somos amigos e passamos por problemas idênticos. Eu todas as letras que escrevi a maior parte passei por elas, outras estou a passar agora. Algumas delas são bocado premonitórias (risos). Se calhar já estava a prever o que se ia passar, no inconsciente. Também não é difícil. Prever um desgosto amoroso é normal. Passas por um desgosto em média (risos). Mas não são personagens fictícias, é aquilo que nós vivemos. Quem sabe se gravarmos um próximo álbum, não vai falar de desgostosos amorosos, se calhar vai passar por outro tipo de temas, mas acho que reflecte bem aquilo que estamos a passar. Nem eu saberia escrever sobre outro tema se não tivesse a passar por ele.

Acaba por ser um exercício de abertura, o blues…

É falar das coisas como um homem. Principalmente numa sociedade onde um homem tem de esconder os seus sentimentos. Uma mulher deixa uma homem… Não vais dizer isso aos teus amigos, ‘Ela disse-me isto ela deixou-me’, senão vais passar uma vergonha do caralho. Mas tens que falar senão isso vai-te queimar por dentro e a música é uma forma de purgar esses sentimentos. Há músicas que são mesmo muito sinceras. A Wrong Man, por exemplo. Não é fácil dizer a uma mulher ‘eu não sou homem para ti, eu não te vou amar, não te amo como tu me amas, eu sou o homem errado’. – Ferna

Não obstante, a música dos Bed Legs também é muito sobre ultrapassar as adversidades e festejar em vez de penar, certo?

Também, também… não podemos ser pessoas deprimentes. É um exorcismo. Mas um gajo mais tarde aprende: ‘se calhar fui um bocado fodido com aquela rapariga’, por exemplo. Mas é normal, toda a gente tem de passar por isso e aprender com os erros. Eu no geral tento não ser um filho da puta, mas de certeza que já olharam para mim como um. Mas o que eu tenho de tentar fazer é melhorar a minha vida, melhorar a minha estadia aqui e em harmonia. Mas também existe um lado perverso, existe um apetite pela destruição, tipo a “Vicious”: tu sabes que estás a ir pelo lado errado e tens um gosto naquilo. Ninguém te compreende nem tu as vezes sabes bem desconstruir esse sentimento mas tiras um prazer disso. – Ferna

Desprendes o que sentes através da musica – Tiago

Tem que ser porque senão um gajo rebenta. Um gajo não arranja confidentes, a música é o melhor confidente que nós temos é a melhor forma que nos conseguimos de nos expressarmos. As vezes nem consigo falar sobre o meu problema fodido com ele [aponta para Tiago] e ele é meu amigo. Não consigo a falar mas consigo a tocar com ele, a mandar uma linha melódica que consegue desfazer ou atenuar esta inquietação. – Ferna

Falando em vida, o que é que a gravação vos trouxe a nível de aprendizagem. Pessoal e artística?

Inicialmente percebemos que gravar um LP não é a mesma coisa que gravar um EP. Quando foi para gravar o LP não fomos com pretensiosismo mas fomos com aquela coisa que gravar um LP é quase como gravar um EP mas a dobrar. Não é bem assim. – Ferna

Eu acho que a grande diferença do EP para o LP é que eu acho que o EP foi muito naive, vamos falar assim. Nem procurámos muito onde íamos gravar, se calhar gravámos logo no primeiro sitio. Queríamos era gravar, gravar, gravar enquanto que se calhar depois de gravar o produto final que foi o EP, depois da tour, a banda ganhou outra maturidade e então em relação ao LP já escolhemos mais o sitio, onde gravar, quando lançar, com quem lançar…  Se calhar a nível de maturidade a banda cresceu mais nem foi durante o LP, mas antes. Durante o EP e a tour. – Tiago

Não tínhamos editora e ainda não temos. Tínhamos de arranjar alguém que nos editasse, que nos promovesse. Sabíamos que íamos passar pelo mesmo processo do EP, de sermos nós a ir a procura de tudo, tratarmos nós de tudo e tem que ser. A vida é assim. Mas já temos criado mais contactos e encontrado sítios para gravar e pessoas para promover [a banda]. A estrada deu-nos isso para nos ajudar no nosso caminho. Neste momento não temos editora mas temos promotora e temos agência. – Ferna

Para mim foi mais cansativo o EP do que o LP… – Tiago

Sim, porque foi a primeira gravação… – Ferna

Para mim o LP fluiu… – Tiago

Isso foi porque nós como banda não tínhamos muito a cultura de gravação, foi o nosso primeiro trabalho. Se calhar eu e o Tiago é que temos gravado mais. Eu estou mais habituado porque fora de Bed Legs faço muita musica e estou sempre a gravar, mas a banda em si como um todo não estava habituada a gravar. Então foi um processo demorado, o EP demorou quase um ano. 5 musicas demorou bué tempo. O álbum foi ao contrário, foi um mês mas foi um mês bué intenso. Mas também não foi assim tão bom gravar uma coisa assim tão grande num instante. Sabemos que no próximo álbum se for gravar num mês temos que ir bem musculados, bem preparados para um mês intenso. – Ferna

Isto ainda não acabou, ainda estamos neste processo de descoberta do que é que é melhor para nós e como é que funcionamos confortavelmente. Foram rotinas de trabalho contrastantes. [do EP para o disco]. O baterista teve que treinar muito. Foi tipo o baterista dos Joy Division, teve que voltar atrás para acertar no metrónomo quando foi para gravar. Agora quando foi para o álbum, antes dos ensaios o baterista estava ali com o metrónomo a trabalhar para aquilo e já n teve que voltar para trás para treinar. Foi para lá e gravou aquilo. Claro que foi uma construção, aprendemos, apesar do EP ter sido um fardo do caraças. Quase que andámos à batatada uns com os outros. Cinco músicas demoraram um ano. No LP, essa construção ajudou-nos a não andar à batatada uns com os outros (risos) – Tiago

E o processo criativo do disco? Os temas surgiram relativamente rápido ou houve muito planeamento?

Algumas musicas sim, outras não. Metade do álbum já tínhamos composto. Outras tínhamos ideias do caraças mas tínhamos um prazo a cumprir e tínhamos de começar já no próximo mês. Fomos com o que tivemos. Tínhamos por aí umas cinco músicas acabadas e depois fomos com três ou quatro que estavam a meio. Começámos a gravar as que já estavam acabadas primeiro e nos ensaios, durante a gravação também íamos ensaiando e fomos acabando [as restantes]. Houve soluções que também descobrimos. Pequenos arranjos e grandes soluções, e grandes arranjos (risos), que descobrimos durante a gravação. – Ferna

Vocês têm portanto uma dinâmica muito veloz, muito instintiva…

Sim, veloz, espontânea, mas também gostamos de fazer trabalho de casa. Se agora formos gravar o segundo álbum não vai ser no mesmo processo deste Black Bottle, se calhar em vez de virmos com cinco musicas e acabarmos outras em estúdio se calhar agora vamos mesmo com o álbum todo acabado para não ser uma cena tão dor de cabeça. Porque houve momentos divertidos mas também houve momentos, carago meu, foda-se… É todos os dias ir e gravar…’Não me apetece gravar hoje man, foda-se, mesmo a sério, ‘tou-me a cagar…’ Mas tens de ir gravar e vais gravar. – Ferna

O que acharam do resultado do disco? Descrevam esta Black Bottle

Coisas a melhorar há sempre. Pessoalmente não digo que está na mouche, mas está lá perto. Consoante as circunstâncias, o tempo que tivemos e as possibilidades que tínhamos, está muito próximo e eu acho que está fiel ao que somos agora. Acho que um álbum que fosse muito produzido não ia ser nós agora. – Tiago

Eu acho que ao vivo as pessoas vão impressionar-se mais. Está muito próximo daquilo que nós somos ao vivo, não tem muitas camadas, são quatro camadas, se calhar dobramos uma guitarra ou uma voz só para encher um bocadinho mas nada de especial, não estamos ali com bué efeitos por trás. Está muito parecido com o que nós somos ao vivo, mas acho que ao vivo somos muito mais potentes o som tem muito mais calor. Mas no geral estamos muito mais satisfeitos. Claro que há sempre aquela coisa do gravar isto e aquilo de novo mas olha amigo, já está, vais ouvir este solo assim para sempre e agora prepara-te para o próximo. Estou contente, mesmo a nível de letras, instrumental, de som, de ritmo, está  muito bom. – Ferna

A intenção agora é tocar ao vivo, eu pelo menos quero é tocá-lo ao vivo… – Tiago

É um álbum equilibrado, tem assim uma ou duas musicas assim mais frescas depois tem umas mais pesadas. Outras mas pesadas mas mais melódicas mais baladas, a “New World”, a “Black Bottle”, depois tens músicas frescas tipo a “Vicious” ou a “Road Again”. – Ferna

Porquê o nome Black Bottle?

Acho que encarna o espírito do álbum, a música em si, o próprio nome… o álbum é um bocado negro e cru, a preto e branco. Pelo menos para mim fazia sentido. – Tiago

Tinha a ver tmb com a fase q tavmos a passar estes ultios dois anos foram assim atribulados, mais difíceis. – Ferna

Qual é o conteúdo então desta garrafa negra?

Qual é o conteúdo? O conteúdo da Black Bottle é sangue preto, negro e espesso. É o nosso suor preto vertido lá para dentro e agora as pessoas vão ter que beber dele a ver o que é que sabe (risos). Estes últimos dois anos não foram muito calmos. Não estávamos ricos, houve bué downs… E o álbum reflecte isso. – Ferna

Foi atribulado… – Tiago

Não há muitas letras felizes aqui no meio.Não é um álbum que um gajo pensou ‘Black Bottle!’ e vamos fazer um álbum a volta disto… o álbum foi-se construindo e depois no final achámos que Black Bottle fazia sentido… – Ferna

O que é os Bed Legs estão aqui para fazer? O que querem comunicar e qual é o vosso mote? Para onde querem ir a seguir?

Queremos mostrar os temas novos e a nossa nova força… Estamos de atitude renovada e queremos tocar onde nunca fomos. Estamos back on track, on road, e é isso que nós queremos, queremos comer palcos. A coisa mais importante é o acto de criação, tu chegares àquilo que estás a experimentar e ao que projectaste. Depois o outro é entrar em palco, toda aquela encenação toda, a improvisação, apresentares os temas, improvisares… as pessoas aproximam-se, bate a primeira tarola, as luzes apagam, fica tudo maluco e tu só queres é rebentar aquela merda toda… Depois já acabou e está tudo partido no backstage… que puta de loucura. É isso que nos ansiamos, é tesão de palco. Foi para isto que nós nascemos, acho que não nos vemos a fazer outra coisa melhor. Sabemos fazer outras coisas bem como lavar latrinas, deixo-as bem limpinhas, mas não é isso que eu quero fazer para o resto da minha vida, quero é tocar,  quero é criar… Queremos todos. – Ferna

Depois desta conversa estivemos com eles pelo Sabotage e foi assim:

Bed Legs + Crude @ Sabotage Club: Surpresas, surpresas