A música de Circuit des Yeux, alter ego de Haley Fohr, move-se num remoinho de explorações sonoras, de altercações vocais incisivas e de sons digitais que desenham histórias alimentadas pela profundidade lírica da folk. O projecto surgiu em 2007 pela visão de uma muito jovem Haley que imprimiu a esta espécie de indie folk conceptual uma aproximação a nomes como Jenny Hval ou Xiu Xiu, através da experimentação e pela maneira como desconstrói as notas e ambiências dos instrumentos, tornando-os num narrador que vai preparando o caminho para a sua imponente voz de barítono.

O ambiente introspectivo que se desprende da música de Circuit des Yeux transporta-se para uma viagem conturbada e afunda-se em precipícios emocionais com uma secção de metais que desenha sombras e espectros num nevoeiro soturno, de pesadelos e sonhos irrequietos, guiado pela inimitável e profunda voz de Fohr, que despedaça a intimidade dessas confissões e torna o ouvinte num voyeur ousado desta estranha forma de contar histórias.

Circuit des Yeux poderá não ser imediatamente compreendida, pois não oferece um manto quente e aconchegado numa noite de chuviscos românticos. A desconstrução das bases da lírica folk em conluio com o desvio da fórmula indie, arrasta o ouvinte para fora da sua zona de conforto e desmaterializa o convencional, tornando Haley numa das bestas mais peculiares a que se pode ter o prazer de assistir este ano.

Cause it all feels the same
You’re just a container containing space
You’re just a container containing space

Reaching For Indigo, o seu quarto álbum de Haley Fohr que viu a luz do dia em Outubro de 2017, é o grande responsável pelo regresso da norte-americana a Portugal para duas datas. A 29 de Abril, para ocupar a imperiosa e cada vez mais eclética agenda da ZDB, e no dia anterior no cada vez mais hiper activo Auditório de Espinho.