Se isso vos soar “amaricado” porque a voz e a letra e a música parecerem ser de Rufus Wainwright e por vir da Bella Union de John Grant, então… Respeitem, relaxem e dancem, ou sentem-se para escutar essa “Teddy I’m Ready” com mais atenção, já que a música não agarra, nem morde, nem altera orientações sexuais. E a música de Ezra Furman ajuda até a curar males de alma – que o digam os milhares que no último Glastonbury celebraram durante o seu concerto! E sim, ele tem um aspecto que lembra a prima donna Patrick Wolf e a sua banda chama-se The Boyfriends. So what?!

Mais rock n’roll é o que Ezra promete em “Teddy I’m Ready” (too rock n’roll, pela atitude rebelde), a faixa que abre o EP Big Fugitive Life, cujo lançamento está anunciado para o próximo 19 de Agosto. Mais uma malha recente atestando que o clássico street rock de Springsteen e Costello está trendy, desde a música histriónica como de um dos famosos musicais rock dos 60s e 70s, passando pelos saxofones estridentes ao jeito do industrial nordeste dos ‘States’, até à própria letra que, lamentando os preços altos dos combustíveis, poderia ter sido escrita numa das primeiras crises do petróleo por uma pobre adolescente reprimida por família conservadora.

E é plausível supor que esta canção seja um dos melhores instantes dos concertos de Furman, porque é facílimo imaginar públicos cantando aquele refrão “Teddy I’m ready to rock n’roll” sempre que ele os induza a isso. Uma grandiosa malha que vai crescendo até soar emocionalmente épica, de um EP que Furman informou ser a compilação de seis temas que não foram seleccionados para os discos Perpetual Motion People (quatro) e The Year of No Returning (dois). Por serem menos bons? Nada disso! Como ele justificou, só porque não estavam acabados. Acreditem, porque a completada “Teddy I’m Ready” soa iconicamente à “loucura que invade alma e corpo” como Ezra concebe o rock n’roll na primeira metade de Big Fugitive Life.