Queres que o mundo acabe? Não? Então a escolha dos certos e dos errados é tua e de mais ninguém. A mensagem, que nem deveria ser ainda necessária, não é nossa mas sim do sempre assertivo – um tanto louco também, sim, e ainda bem -, J. Tillman e do seu alter ego de pregador do amor e do humor e das consciências, Father John Misty.

Se no decorrer da campanha para as presidenciais norte-americanas, a inspiração que Trump largou um pouco por todo o lado deu azo a uma torrente enorme de criatividade com inúmeras canções de inúmeros nomes a alinharem-se numa wall of anti-Trump songs, o certo é que a surpresa (???) do resultado das mesmas parece continuar a dar alimento para a alma de muita gente também. Mais uma vez, Josh Tillman não fica de fora e, como tão bem ele sabe, vem pôr um dedo ou dois na ferida aberta da sociedade norte-americana. Da sociedade norte-americana, e de um mundo inteiro de estupefacção e incredibilidade.

“Holy Hell” é o terceiro original avulso que Father John Misty lança depois do disco de 2015, I Love You, Honeybear, “The Memo” e “Real Love Baby“, para além da curtinha “This Is America” para a Adult Swim e “Trump’s Private Pilot”, a cover do tema que Tim Heidecker fez para a campanha 30 Days, 50 Songs. A dialéctica analítica de sempre está lá mas não falta, também, um pouco de esperança, esse ingrediente mágico no final de um ano trágico em tantos aspectos.

Father John Misty, um piano e “Holy Hell”.

Never asked for a paradise,
But seventy years would be nice,
With my brothers and sisters and I.