Tenho a impressão que iniciar uma obra é antecipar-se a sentir falta dela. Talvez uma saudade do futuro engolida pelo presente de fazer esse futuro.

Não é desta maneira que começa o disco, nem muito menos o livro. Mas é este o mote para o que aí virá. A Lâmina de Felipe Antunes serviu como ponto de partida para a conversa. A poesia, a melancolia, a fotografia e as influências de uma parte dos Vitrola Sintética, a banda de Felipe. Um sofá, uma sala pequena, um amigo (Hélio Flanders), o Porto e dois dedos de conversa.

Sintético e Lâmina: coexistência desconectada.

Em 2014, ainda a promover o segundo álbum Expassos, os Vitrola Sintética já pensavam no que iriam fazer a seguir. Até que, no ano seguinte, esse processo tornou-se realidade e surge, daí, Sintético.

Enquanto trabalhavam, Felipe Antunes já pensava no projecto a solo. Diz que “o que aconteceu na época é que estava com um fluxo de composição muito grande.” O que, para a altura, o levou a ter muitas músicas  “a mais do que iriam para o álbum (Sintético de 2015 dos Vitrola Sintética). Algumas músicas que chegámos a gravar e editar para o Expassos (2013) acabaram por não entrar neste também e acabei por as aproveitar para o meu trabalho a solo.“

Mas não foi um projecto resultante apenas da sua veia inspiradora da época. Foi todo um processo de experimentação, de evolução. De poder trazer coisas que em banda poderiam não ser feitas. Mas também serviu para ‘resgatar’ canções mais antigas que se encontravam perdidas.

Isto também nasceu numa vontade paralela de tocar com outras pessoas, de criar com outras pessoas e de exercer uma autoria um pouco mais individual. Porque em banda é muito interessante por isso mas também muito complicado por isso mesmo. O facto de decidir tudo junto, é muito bonito, é muito forte, muito potente, porque tomamos todas as decisões, mas muitas das coisas que a gente pensa sozinho se prejudica um pouco nesse sentido. Se é que se pode chamar de prejudicar. Então eu optei por fazer um outro álbum, um a solo, para poder exercer essa autoria.

Nesse tempo é como se já tivesse gravado o disco porque as músicas já existiam, as músicas eram outras (as de Sintético). Para mim a viagem era outra já. E o Lâmina também demorou mais de um ano para ser gravado. E então apesar de eles coexistirem, de serem muito próximos, as gravações e composições serem muito próximas, eles não são muito ligados assim. Por causa dos tempos que os próprios discos demandaram. Algumas composições têm o mesmo tempo, aconteceram simultaneamente, outras são mais desconectadas. Algumas são recuperadas, mais antigas. O Sintético tem uma música de 2010 que eu compus aqui em Portugal que nós na altura não sabíamos se encaixava. Então o nosso baixista (Otavio Carvalho) resgatou-a para este disco de 2015. O Lâmina traz coisas de 2013/2014 que não foram usadas no Sintético e que eu quis usar. Outras não foram usadas nem antes nem depois. A maioria faz parte desse contexto, mas algumas eu puxei de outro tempo. Eu tenho-os muito conectados mas ao mesmo tempo não.

Felipe Antunes

Lâmina é, como o nome faz prever, um álbum ‘cortante’. A maneira como é escrito e gravado é crua. Há uma espécie de separação entre o que pode fazer em grupo e sozinho. Mas não tão sozinho, assim como explicou. Pôde ser mais autor, de uma forma mais “profunda e pessoal”. Algo que, em banda, “talvez não fosse possível fazer. Seria mais difícil. Talvez não quisesse fazer isso mesmo (em banda). Acho que a compreensão é outra”.

Sobre o disco e a sua exposição diz:

Eu acho que tem uma coisa dolorosa, que é quase agressiva. E então por isso acaba por ser muito pessoal. O caminho de composição muito expositivo. E quando digo ‘expositivo’ é por ser muito pessoal. E cada vez mais foi afunilando, afunilando. Ao mesmo tempo que é muito expositivo também é muito expansivo, porque colaboro com muita gente. (…) Eu entendo ele (o álbum) como muito pessoal – com aquela coisa da cassete, do livro – mas também muito expansivo – com toda aquela gente que colabora.

Contudo, o Brasil poderá ver essa dimensão assim que Felipe voltar a casa.

Vou fazer um show com toda a gente que participou no disco. O Hélio (Flanders) por exemplo vai participar. Algo grande para muita gente. E a banda é maior que os Vitrola! Somos três, mas tem um baterista que não gravou no último álbum mas entrou logo na sequência e está connosco. Também é quem toca no meu disco a solo. Então somos quatro. E em princípio a banda-base (a solo) que vai tocar vão ser 6!

A Lâmina não é só um disco: há um livro para ler, ver, reler (…)

Quem ouviu o álbum, talvez perceba que a gravação parece ‘caseira’. Imaginar uma sala pequena (como da Casa Bô onde Felipe tocou) em que a proximidade é tanta que nos imaginamos lá, sentados a ouvi-lo. Ouvir as histórias que quer contar – mesmo que não se considere um contador de histórias por natureza. Lâmina é um livro com histórias dele próprio em forma de poema. Um livro e um disco. Quase um guia pelo imaginário do álbum. E para perceber esse caminho, Felipe conta como nasceu esse processo.

Eu acho que ele nasceu um pouco ao mesmo tempo, apesar do disco já estar a ser gravado. Na altura quando começamos a pensar esteticamente, falei com um amigo que tem uma editora (Urutau) e chegamos a uma ideia de que o livro tem uma proximidade com a literatura, uma intenção poética e que seria interessante juntar ao material literário. Daí também me ter dado força para lançar uma faixa com uma leitura de um poema, porque podia ter um livro onde podia escrever textos, podia ter um prefácio, posso exercitar isso. Eu podia ter um livro de artista, como um amigo meu da editora disse. É um livro de processos. Tem fotos, tem poemas.

Esse processo de ‘transformação’ de poemas em música já é antigo. E para dar mais força à crueza do disco, há uma canção em particular que transporta esta mesma mensagem: “’Cru’ – que é só guitarra e voz e que parece mais caseira – e é, porque a gravei no meu quarto”. Mas assim como esta, que fora enviada para uma revista como poema, também “Essa Moça” surge na mesma linha:

Enviei como poema para outro compositor, o Enzo Banzo, e ele musicou-a. Tem um claro poema ali. E foi assim naturalmente que foi surgindo a ideia. Mostrando uma intenção com o livro. Um livro de processos onde vou mostrando todo o procedimento, até tem um manuscrito do próprio “Cru”.

Estas duas músicas em específico tem características especiais. Vendo o livro, há uma algo que salta à vista no meio daqueles poemas. Não se trata apenas do que está escrito mas de como está. De todos os textos, este é o único que aparece ao centro da página. Não podia apenas ser um acaso do livro.

Foi um tipo de poema concreto que trabalha também com a parte visual, da forma, foi uma brincadeira por aí. Não vou falar muito do que é a forma, mas acho que se pode imaginar. Tem uma leve – não tão leve assim – conotação sexual ali. E a intenção foi que realmente se diferenciasse das outras porque também surgiu num contexto diferente, por ter surgido como um poema concreto.

A outra canção é “Essa Moça” e vendo apenas um seguimento das músicas, fica-nos a impressão das “duas faces da mesma moeda” por causa de “Esse Moço”. No entanto, a primeira não foi pensada dessa maneira. Foi, como referido, pensada como poema e musicada por Enzo Banzo.

Em “Essa Moça”, involuntariamente, houve um “jogo entre dois homens conversando” que, mais tarde, foi propositado em “Esse Moço”. Pensando “nessa possível dupla figura feminina falando sobre uma suposta figura masculina. Não nasceram como contraponto.” A história tornou-se maior do que isto. Acabou por se tornar em todo um conceito e até na referência a uma das influências de Felipe.

“’Essa Moça’ inicialmente chamava-se “Pó de Vidro” mas no estúdio começaram por gravar o ficheiro com esse nome e então comecei a pensar nessa relação de “Essa Moça”/ “Esse Moço” que seria interessante ter no disco. E esta brincadeira tornou-se em algo maior. O (Enzo) Banzo também costuma brincar e falar sobre a “Esses Moços” de Lupicínio Rodrigues que gosto muito. Então essa história acabou por fechar por aí e fechou bem.”

(…) e voltar a ver: a fotografia também é música.

Como livro de autor, não funciona apenas o texto. A palavra escrita em poema. A fotografia fala por si. Transmite muito do espírito do álbum. Pode-se dividir até em três grupos:

– Uma secção de fotos analógicas que funcionam como ‘diário gráfico’ da vida de Felipe;

– Fotografias de promoção do disco e de referência direta ao conceito de ‘lâmina’, algo agressivo – da autoria de Wladimir Vaz;

– E uma última de retratos cinematográficos, dada a luz utilizada. São dispostas aos pares por página, uma em cima da outra, que dá a ideia de movimento.

Em comum têm a cor: preto e branco. Transmitem também um pouco do espírito do álbum: uma certa solidão e tristeza. São “fotos com pouca luz, difícil mas triste, esse ar melancólico. Muito contraste.”

Esse contraste não é só dentro da fotografia mas entre fotografias. Tanto tem fotos de uma carga emotiva pesada, como de alguma ‘claridade’ vinda das fotografias analógicas. Assim como em Lâmina tem momentos onde predomina a luz e que traz novo fôlego ao disco.

Os retratos foram uma proposta posterior. São retratos de quem esteve ligado ao processo.

Andei a percorrer todos os sítios, atrás destas pessoas. Foi muito difícil porque São Paulo é grande e não dá para encontrar todo mundo de novo facilmente. Mas foi muito interessante poder encontrar todo o mundo antes do disco sair.

A capa do disco não surge conforme as músicas. Elas apesar de existirem e de terem um conceito camuflado por trás, esse mesmo só aparece com a fotografia da capa e um autor em especial: Chema Madoz. Ou seja, “a luz corta e só aparece uma parte. Isso conversa muito com a lâmina, o corte, talvez a solidão, a dor, as páginas cortantes do livro que eu imaginava com a própria ideia do disco”. O nome então surge depois de ver uma fotografia em específico – não a que se encontra na capa – deste fotógrafo espanhol, com quem Felipe esteve aquando a sua visita a Madrid para ver a sua exposição.

Tem uma foto dele que tem um livro aberto com várias lâminas em páginas diferentes. E aí veio a ideia. Estávamos a trabalhar no disco como um livro. Eu acho que são canções e poemas que às vezes são difíceis, cortantes mesmo. E para mim fez muito sentido que as páginas pudessem, ou não, cortar dependendo da maneira como pegas nas páginas porque tem lâminas. E então acabei por usar outra foto dele que achava que casava melhor com o disco, porque deixa mais em aberto. Deixa o conteúdo em aberto e que pode ser mais doloroso, porque as páginas estão em branco. E aí eu pensei que o disco tinha de se chamar ‘Lâmina’.

As influências: Vinicius, Estoril, física quântica e Buda.

Facilmente se percebe que a MPB está presente na música de Felipe Antunes. Há algo de Tom Jobim, Vinicius de Moraes ou até Caetano Veloso. Mas também da música brasileira dos últimos anos que também veio beber destas influências como Cícero ou Rodrigo Amarante. A spoken word e a simplicidade da poesia acompanhada da guitarra também se faz ouvir em Nick Cave, Patti Smith, Leonard Cohen ou, até mais recentemente e em alguns momentos, Jehnny Beth. São todos nomes que, de uma maneira ou de outra, chegam ao universo dele. São nomes que estão ligados entre si. Poesia e, porque não, voz grave – ou potente.

Tinha uma coisa de (Serge) Gainsbourg – que gosto muito – e que ouvia muito na altura, e de Cohen. Talvez também o Cave por causa dessa coisa do violão e pretensão de ter uma coisa mais suja. Mas acho que o Cohen por causa do texto e interpretação. Todos eles influenciaram bastante nessa relação da poesia com a canção e ter isso no disco foi muito da influência – que já é antigo mas as pessoas devem conhecer – de Vinicius de Moraes que tinha poemas no meio. Eu tenho um vinil que de um lado é Carlos Drummond de Andrade e do outro lado é Vinicius de Moraes. Do lado do Drummond é só leitura de poemas, que me influência muito, e do outro tem canções do Vinicius e poemas. Tem alguns atores brasileiros e também portugueses que ouvi no outro dia um interpretação muito bonita de “Tabacaria” de Fernando Pessoa, muito forte, penso que na Casa Pessoa. Tem um vídeo muito bonito. Tem outros como o Antonio Abujamra, que morreu recentemente, que era um grande leitor de poemas. A Maria Bethânia também faz isso muito bem, essa relação entre poema e canção muito bonita. Tem um disco que se chama “Que Falta Você Me Faz” em que só canta Vinicius de Moraes que gosto muito. É um disco que ela intercala poemas e canções.

 As influências não fazem apenas parte da música ou de intérpretes. O silêncio também pode servir para tal. Durante a conversa surgiu um tema interessante e – que acabou por se tornar –, importante. O “retiro do silêncio” ou, mais especificamente, “retiro budista zen” serviu para escrever “Veio do Tempo”. A faixa-poema do disco. Esta que, segundo Felipe, se fez usar da “voz dele (de Antonio Abujamra) lendo o poema na minha cabeça. Assim podia perceber a fluidez do texto.”. Do retiro trouxe ideias para o projeto a solo, de passagens recitadas pelo monge de discursos budistas. Dos quais ficavam na cabeça. Lembra-se da “ideia da serpente, que Buda dizia ‘que a paixão era uma serpente adormecida no canto da mente e que não pode alimentá-la porque é perigosa’. Essa coisa do desapegar, ‘de ter e não ter’, fala muito no poema. Principalmente o poema foi muito influenciado nesse retiro.”

As viagens, por consequente, também se tornaram influências. A vivência brasileira da cultura e da sociedade – claro está – são importantes mas os tempos em que estudou e tocou em Portugal, bem como a família aqui presente, servem de transmissores de conhecimento. Espanha e, mais uma vez, Vinicius também entram na equação.

Estas viagens permitiram uma recolha e pesquisa de nomes que lhe interessam. Principalmente cantautores. Fala de Sérgio Godinho e de “discos antigos muito bonitos”. São estes nomes que traz para o seu leque de inspiração e cultural.

Vinicius de Moraes aparece aqui como fonte transmissora de raízes. Neste caso portuguesas. Assim como a família.

Sobre os Vitrola Sintética, essa música de 2010 “Deus te Ouça” que eu fiz aqui em Portugal, eu fiz porque eu tenho um livro do Vinicius que traz um cartão-postal de quando ele esteve aqui e ele escreveu o “Soneto da Fidelidade” quando esteve aqui num hotel em Estoril. Era o Hotel Paris que agora pertence à cadeia Sana Hotéis. Continua a ter as mesmas instalações, até um coqueiro à frente! E então eu fui lá passar uma noite, beber uns whiskeys e fumar uns charutos, só para sentir aquela energia. E então escrevi lá. Eu acho que tem uma relação muito direta com a canção, a cultura, com a sociedade, da forma como a sociedade se desenvolveu. Eu tenho família aqui também e fico pensando como é que se desenvolveu aqui e lá, o momento que vive aqui e lá.

A sociedade, como um todo, entra num esquema pouco usual de pensamento para Felipe. Mas serve para explicar como se podem criar ligações entre culturas e haver uma troca direta e indireta de ideias.

Eu penso que existe bandas de energia entre pessoas, como na física quântica. Eu acho que a gente vive muito numa frequência e dentro dessa frequência existem pessoas dessa mesma. É claro que às vezes sais disso e é aí que existem os descontroles e os problemas que passamos. Mas é dentro dessa ideia de frequência de energia em que as pessoas estão que acabamos por encontrar outras de todo o mundo com a mesma frequência. E aí deixa de haver barreira entre países mas passa apenas por haver barreiras de energias. Todos os países onde estás, as pessoas que convives que foram indicadas por alguém que conheces que tem essa energia parecida, o contacto vai funcionar. Essa casa aqui vai ser igual a uma em São Paulo se as pessoas tiverem essa mesma energia parecida com esta, que pensam da mesma maneira. Eu acho muito bonito essa história das tradições, muito interessante e que se deve conservar até pela cultura dos povos e para a compreensão da História. Mas acho que deve cada vez mais acabar com as fronteiras, porque isso faz com as pessoas pensem diferente, pensem melhor ou pior. Isso não existe de melhor e pior culturalmente, do país do género. Apesar de respeitar as tradições e culturas, devíamos cortar essas diferenças entre países, povos e raças.

Uma família portuguesa, com certeza (que conta histórias).

De volta ao disco, Lâmina começa com uma pequena introdução. Uma chamada para o que acaba por não acontecer, diretamente. Abre com uma pequena cantiga da avó – que é portuguesa – que aprendeu quando era pequena e que nunca mais se esqueceu. Nem da letra, nem da melodia. A relação com o disco está na memória. Essa também está presente ao longo do disco. Ou não fosse ela que amargurara as letras.

A minha avó conta histórias, gosta muito de contar mas não é uma contadora de histórias. O meu avô – marido dela – sim, gosta de contar, ele lê muito e gosta de contar muitas histórias, tanto dos livros como da vida dele. Cada vez que fica mais velhinho mais histórias tem para contar, cada vez mais profundas ou diferença. O dela, o interessante, é que não conta muitas histórias. Mas essa canção em especial, ela lembra-se sempre, canta sempre com a mesma letra, a mesma melodia. Eu tentei procurar mas não encontrei de quem era. Talvez fosse da professora da altura que tenha inventado na época ou fosse uma coisa de cantos populares. Foi uma coisa que ficou presa na memória dela e a relação com o disco é com a memória. Trabalhar um pouco a memória, a beleza da memória.

 Os pais também entram na inspiração artística. É deles que, segundo Felipe, vem uma “fusão talvez genética (…), um pouco de descrever e um pouco de poesia. Uma descrição poética.”

A minha mãe é uma pessoa muito descritiva, as poucas coisas que ela escreve e que eu li – como as viagens a Portugal – ela descreve muito bem, tem uma capacidade descritiva muito boa. O meu pai tem uma maior relação com a poesia e o amor. E ele gosta. Quando ele vai escrever uma mensagem de feliz aniversário ele escreve num jeito poético, bonito.

Para terminar, fala da rabeca feita pelo avô, das habilidades manuais que contrariavam a sua pretensão de tocar o instrumento. Dessa rabeca surgem duas músicas – e uma terceira com outra rabeca:

Numa é usada só esta, noutra é tocada uma rabeca do Thomas (Rohrer) e na terceira são usadas as duas rabecas (no entanto, foi apenas Rohrer é que as gravou).

Lâmina é assim: um álbum com mistérios de histórias desvendadas e com um misto de escuridão com claridade. É muito recomendável ouvir com atenção o que se vai passando por lá. E ler o livro.