Vindos directamente da Califórnia, os Cosmonauts emancipam calor em tudo o que é tema que assinam mas, ao contrário de outros artistas das redondezas como Ty Segall ou White Fence, o seu garage rock apresenta contornos algo diferentes em comparação com o dos restantes: auto-apelidado pela banda como “drug punk”, o seu estilo consegue alcançar os diferentes níveis de uma bela ‘pedrada’, passando por momentos de euforia até culminar num registo mais para o relaxamento. Contudo, quando se apresentam ao vivo, as suas canções atravessam uma metamorfose tão severa que a outrora euforia torna-se numa êxtase destruidora e a descontracção transita para um estado de transe; estas mudanças de estado são apenas algumas demonstrações da complexidade que este quarteto tem vindo a ganhar ao longo dos anos.

No espaço de três anos, os Cosmonauts lançaram discos anualmente: o homónimo Cosmonauts (2011), If You Wanna Die Then I Wanna Die (2012) e Persona Non Grata (2013). No meio de tantos álbuns e cassetes em tão curto espaço de tempo, a chave para o seu sucesso reside na relação de amizade criada entre Derek Cowart, James Sanderson, Mark Marones e Alexander Ahmadi. Tudo começou numa festa entre amigos comuns de Derek e Alexander que, numa sessão de jamming, reconheceram os talentos de cada um e ambos decidiram criar então os Cosmonauts, com o baixista James Sanderson e Cole Devine a alistarem-se à causa lá mais para a frente. Tomando como referências bandas como Sonic Youth, Spacemen 3, The Velvet Underground e The Kinks, o grupo de amigos conseguiu criar uma sonoridade própria, repleta de sons altos e pesados através de amplificadores velhos e gastos; “o som dos The Kinks não era proveniente de pedais de distorção, mas sim de amplificadores prestes a dar o berro“, disse Derek Cowart numa entrevista.

Chegados a 2016, os Cosmonauts estão de volta, com novo disco, A-OK!, a ser lançado no dia 19 de Agosto, com ‘Party At Sunday’ a servir como primeiro avanço do quarto longa-duração da banda. Neste tema, as tonalidades distorcidas são postas de parte para dar espaço a uma melodia destinada a ser ouvida na companhia da vossa cara-metade, quiçá dentro de um carro cujo rumo seja, talvez, a festa que dá nome ao título da canção; sobre a mesma, Derek Cowart esclareceu que a música fala sobre

a quantidade de festas exorbitantes a acontecer de sábado para domingo onde pessoas disfuncionais mostram as suas extravagâncias. Com a ajuda do Dom Santos e do Edgar Obrand, tentámos recriar o ambiente que se vive nessas festas maradas no vídeo de ‘Party At Sunday’ “,

No dito, desde drogas, álcool, karaoke ou pessoas a ‘curtir’ num chuveiro, há um pouco de tudo para descobrir em cinco minutos de pura beleza.