Quantas pessoas podem afirmar-se donas e senhoras de duas criações marcantes num espaço de tempo relativamente curto? Karin Dreijer pode.

Oito anos depois de lançar o disco de estreia a solo enquanto Fever Ray, Dreijer regressa ao seu alter-ego mais soturno e níveo e faz com que esse mesmo lado mais suavizante se transfigure e se encontre com a linhagem de som da banda que partilhou com o seu irmão Olof Dreijer – os The Knife que extinguiram a sua lâmina criativa em 2014, mas que lançaram em setembro passado o disco ao vivo Live At Terminal 5.

Karin deixou durante a semana dois teaser videos que prontamente foram assimilados como o tão esperado regresso dos raios febris da sueca. O primeiro, intitulado “Switch Seeks Same”, chegava em formato de anúncio televisivo para uma linha de dating chamada “Karma Kinksters”. O teaser – um exercício visual que começa logo por chamar aqueles mais interessados no universo do BDSM através da mensagem escrita e da estética kinky -, remete para os oito anos de ausência e refere-se a esse período como uma fase de aprendizagem e evolução. Diz a NPR que se ligarem para o número ele funciona mesmo e é uma experiência…. uhmmm, tentem se tiverem coragem!

O segundo mini-filme dava continuidade ao imaginário da tal linha kinky e apresentava “A New Friend”. Uma personagem monstruosa que é, na verdade, a mesma mulher do vídeo anterior mas sem os outfits típicos de vinil. Lá se foi o fetiche de pensar o quão hot serão as mulheres exploradas nestas linhas, right?!

Era claro que algo estaria para sair e assim foi. Karin Dreijer partilhou finalmente a música e o vídeo novo de Fever Ray – “To The Moon And Back”. E sim, continuamos num mundo surreal, de planos sexualmente insinuantes mas ao mesmo tempo contando uma história que pode muito provavelmente avançar para territórios do cinema de terror. A criatura grotesca acorda uma Karin (muito pouco menos assustadora que a monstra) de um sono criogénico.

A não-assim-tão-bela não-adormecida dirige-se de seguida, através de ruelas futuristas que remetem para um imaginário misto entre The Neon Demon e um estranho Blade Runner, para um chá das 5 da manhã absolutamente excêntrico e pervertido de onde é retirada no final da orgia de sentidos e não só, pela mesma criatura que a trouxe de volta à vida. Missão cumprida e atirada para a parte de trás de uma pick-up… ficamos então a esperar pela sequela do vídeo realizado por Martin Falck e por mais novidades do segundo disco de Fever Ray.