É comum acontecer nos mais variados cenários da vida quotidiana. Quantas vezes não ouvimos alguém dizer ou sentimos que “Esqueci-me De Mim”. Seja num relacionamento, seja no mercado laboral, seja em qualquer aspecto das vidas aceleradas e dependentes do Hoje que está constantemente a ser um Ontem  ou um Já Foi. Esta é a história de um desses casos.

Com obra mais que extensa e visível ao lado de nomes como os Placebo, John Grant, Midlake, Gorillaz, Anna Calvi, Vashti Bunyan ou Jarvis Cocker seria de esperar que o nome de Fiona Brice saltasse de algum canto da memória. Mas apenas os mais melómanos vão reconhecer o nome da bonita inglesa do memorável concerto em Angork Wat dos Placebo ou dos arranjos para violino em The Bachelor de Patrick Wolf. Um vida na sombra a pintar as telas de outros maravilhosos pintores não seria uma má vida mas ao nos deparar-mos com a magnificência dos dois temas até agora revelados por Fiona Brice para o seu disco de estreia a solo só podemos agradecer a Apolo, Bragi e Dagda por este mais que divino néctar sonoro e pelo passo em frente em direcção à afirmação enquanto compositora e violinista de eleição.

Escrito ao longo de cinco anos, sem terem como fim encontrarem-se reunidos em disco, os temas que se encaixam uns nos outros como peças de filigranas raras feitas num plano etéreo, carregam em si algumas linhas tangentes. Os títulos são baptizados segundo os nomes das cidades onde foram criadas as composições, as ambiências reflectem a interligação da energia própria que cada um dos sítios emana ao mesmo tempo que absorvem o sentimento descodificado que cada local lhe provocava chegando mesmo a chamar-lhes musical selfies.

O disco coerentemente chamado de Postcards From chega nos a 03 de Junho pela Bella Union de Robin Guthrie e Simon Raymonde. Longe do panorama mais rock, embora Fiona se refira à sua estreia discográfica como “one foot in the classical world and one in rock, but if anything, it’s more like film music“, Postcards segue pelos caminhos contemporaneos de Hauschka e Julia Kent.  

Por agora podemos adiantar “Berlin” e o acabado de estrear video de “Dallas”. Que explicado por Fiona à Line Of Best Fit soa assim

I wanted to convey the feeling of being stifled in a location, unable to communicate something that I needed to say.  I lived in Texas for a while and spent some time in Dallas. It was a city I could never find the centre of, could never feel fully comfortable in, and I wrote the track “Dallas” after visiting the area around Dealey Plaza (the site of JFK’s assassination). Not surprisingly, this location left me with a haunted feeling, as if there are voices in the air yet to be heard. So, the public experience of visiting Dallas complimented my own personal experience of feeling uncentered there, of feeling dislocated. The video shows myself and a stranger trying to reach out but being overwhelmed by the cityscape.

Estas são “Berlin”, “Dallas” e uma pequena playlist com algumas das colaborações de Fiona Brice.