São 297 os quilómetros que separam a cidade de Leiria da aldeia de Paredes de Coura. Em 2016, os First Breath After Coma estrearam-se finalmente no festival do Minho e tiveram uma plateia tão calorosa a recebê-los que não nos surpreendíamos nada se passassem a carregar este concerto como um dos seus preferidos. O momento em que entramos no recinto pela primeira vez, fez-se da visão daquele auditório que ficará para sempre marcada na nossa memória; nada nem ninguém conseguirá ultrapassar o deslumbre que é aquele momento, onde o próprio tempo parece congelar para que possamos assimilar toda a beleza que nos rodeia. Ainda nem “Salty Eyes” tinha acabado e já eram notórios os olhares de felicidade que estes cinco rapazes lançavam do palco, confirmados pelas primeiras palavras do vocalista, Roberto Caetano: “obrigado por estarem aqui, por nos proporcionarem um dos momentos mais bonitos que vivemos” dizia num misto de emoção com orgulho.

Mesmo sendo o concerto mais madrugador do terceiro dia do festival, a verdade é que os First Breath After Coma conseguiram atrair uma enorme multidão composta tanto de curiosos como de fãs assíduos. Enquanto apresentavam os temas mais simbólicos dos seus dois discos, The Misadventures of Anthony Knivet e Drifter, houve sempre um imenso respeito por parte do público durante a execução dos mesmos: “Tierra Del Fuego: Nisshin Maru”, música que retrata o confronto entre as baleias e o Homem, não foi interrompida com palmas antes de entrar no seu clímax e onde Roberto permaneceu sozinho a tocar notas soltas. Para além do respeito, houve admiração em temas como “Shoes For Man With No Feet” e até alguns coros em “Escape”, demonstrando que toda aquela afluência não era um mero acaso: o post-rock dos First Breath After Coma é simples e fácil de se gostar, é elaborado q.b. e torna-se num autêntico regalo para os ouvidos, e ninguém quis perder pitada.

Com uma plateia na palma das suas mãos, os First Breath After Coma sabiam que não tinham que puxar muito por ela. O público tanto soube ver onde o ruído era necessário, como em “Escape”, assim como se silenciava – nem burburinho de conversas se ouvia -, para deixar este esplendor vindo de Leiria fazer a sua magia; todavia, ninguém se controlava ao ouvir desabafos como “sempre quisemos tocar aqui”. Para o final, uma surpresa inesperada mas recompensadora: como convidado surpresa, tivemos David Santos, o nosso Noiserv, para interpretar “Umbrae”,o tema de Drifter em que participa, desencadeando um enorme aplauso. Nesse preciso momento, Kevin Morby subia ao Palco Vodafone, mas ninguém arredou pé dos First Breath After Coma. Entre sentidos “obrigados!”, Roberto Caetano, Telmo Soares, Rui Gaspar, Pedro e João Marques abandonaram o palco com sorrisos de orelha a orelha e, mais importante que tudo, o sentimento de dever cumprido. Não se pedia melhor arranque para dia 19 do que este.

Com o belíssimo concerto terminado, questiona-se agora como será o futuro destes rapazes. Desde 2012 que se apresentam como First Breath After Coma mas terá sido em 2016 que o ‘coma luso’ cessou? Uma banda portuguesa tem sempre uma tarefa complicada quando se apresenta num festival na medida em que tem que atrair o interesse do público e combater a ideia do “se-é-banda-portuguesa-vejo-noutra-altura” que paira muito no ar na mente de alguns festivaleiros portugueses, e o quinteto de Leiria conseguiu fazê-lo com distinção!

Poderá o Vodafone Paredes de Coura ter sido o ponto de viragem na sua carreira? Passar de um segredo bem escondido por terras lusas para um um fenómeno em ascensão? Se assim for – e, certamente, muitos concordarão -, porque não homenagear esta pérola do Minho e integrá-lo na nossa história? Amigos, dêem as vossas boas-vindas aos First Breath After Coura!

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