O r&b nunca mais será o mesmo desde que FKA Twigs lançou o seu debut LP1, há cerca de dois meses. Aliás, essa sentença de morte, lida a um cabisbaixo e algemado r&b na sua forma pop mais convencional, repetida e chata, já vinha a ser ditada mais ou menos ao mesmo ritmo que a editora Young Turks levantava o véu (especial chamada de atenção para o tema “Water Me”, do EP2) sobre aquilo que, cerca de um ano depois, sempre se confirmou que viria a tornar-se um fenómeno. Que, por cá, ainda não atingiu a devida dimensão.

Só quase aos 2 minutos do vídeo (1m58s, para sermos mais precisos), e depois de um belíssimo plano sobre o corpo de FKA Twigs, é que tem início o tema tal como o conhecemos do disco. Mas já antes temos acesso a uma introdução dura (como o é todo o vídeo), que dá o mote a este “Video Girl” com quase 5 minutos no seu total (a música original tem 3m48s).

Kahlil Joseph é um modesto realizador. Tanto que era, até agora, um também modesto actor de origem indiana radicado nos Estados Unidos, com humildes aparições em séries e filmes, para desempenhar papéis de menor monta (sempre como “alguém” do Médio Oriente). Aqui consegue dar-nos uma ambiência bem negra num vídeo a preto e branco que, enigmaticamente q.b., conta a história de uma viúva que assiste à execução do assassino do seu companheiro, com flashbacks do momento do crime. Chamamos a atenção para os que se deixam impressionar facilmente com… boa música. Porque acima de tudo o que se passa neste estranhamente belo momento de “cinema”, é, principalmente, o “Video Girl” de FKA Twigs.

nuno miguel dias