Havendo Espadas na Floresta, não Há Lodo no Cais. Mas antes, e sem mais rodeios, houve Blac Koyote (José Alberto Gomes). Um chato. É isso. Porque isto é uma redacção de opinião e a minha é esta. Mas pode haver outras. E havia. A audiência estava polarizada. Uns aplaudiam efusivamente, depois de longos períodos de olhos fechados e corpo a oscilar, outros estavam visivelmente intranquilos, expectantes pelo concerto propriamente dito. Foi para isso que vieram. Mas a coisa atrasou e, à hora prevista para o início do espectáculo dos Forest Swords, em palco ainda estava o ambient do Blac Koyote. Ambient, downtempo, minimal, experimental? Sim, alguns de nós sentimo-nos cobaias. Mas se houve aplausos é bom sinal. E já estou melhor, obrigado.

Forest Swords (ou Matthew Barnes), esse, ocupou humildemente um canto do palco, deixando mais espaço para o baixista cara-de-Bonnie-Prince-Billy-de-quem-não-sabemos-o-nome-porque-ele-não-o-apresentou-como-é-costume. Mas este não era um concerto normal. Era a apresentação do disco Engravings e a primeira vez que o produtor britânico visitava Portugal. Uma terça à noite de Musicbox cheio significa, normalmente, que há culto suficiente para aguentar uma quarta ensonada no trabalho. Matthew não defraudou. Entrou sozinho com um ambient a dar o mote e só depois de alguns minutos de uma audiência irrequieta a pedir mais subiu de tom com “Ljoss”… À partida, aquele baixo, profundo, a fazer estremecer toda a sala e os joelhos de cada um, marcaria a noite. Assim foi, com hinos como “Thors Stone” ou “The Weight Of Gold” a serem recebidos com natural efusividade e a serem transformados, com sapiência de DJ experimentado, por forma a que o set não fosse apenas uma colagem aos originais do disco. Os samples são magníficos, o baixo coroa-os, penetrante, equalizado ao detalhe, o ambiente criado é tão quente que nem a penumbra (sim, as luzes no palco eram praticamente inexistentes) podia fazer-nos supor algo mais dark. Cada intro não deixa adivinhar o tema, tudo sobe até à apoteose. No palco está projectado um totem e olho e já toda a gente está em adoração ao palco.

Esta noite é uma boa noite. O concerto, esse, foi demasiado curto.

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