French Style Furs - Is Exotic Bait
70%Overall Score

Is Exotic Bait pode ser resumido como 10 elegias musicadas. À primeira audição faz-nos imaginar um ambiente de club pequeno em Long Beach, LA; escuro, enfumarado e com os aromas de corpos suados pela dança frenética de um público composto por gentes de várias tribos urbanas. A assistir, iríamos encontrar Nick Cave, John Lydon (a.k.a. Jonhy Roten) e Michael Hutchence (e restantes INXS) embevecidos pelo ritmo dos seus mais novos discípulos. Apresentações imaginárias feitas, passemos ao que interessa.

Os French Style Furs (FSF) são Nathan Willet e Matt Maust dos Cold War Kids e Nathan Warkentin dos We Barbarians. Pelas voltas do destino, os três amigos de longa data, westcoasters de Los Angeles, encontraram-se em Nova Iorque. A urgência criativa foi tal, que Maust e Warkentin começaram a gravar faixas com baixo e bateria quase em segredo e à parte do trabalho nas bandas de cada um. Uns meses mais tarde, Willet junta-se para colocar voz e, em vez de escrever canções, resolve pegar nos escritos de Thomas Merton, conhecido escritor norte-americano do século passado que foi monge/professor/activista/eremita/estudioso das religiões orientais e… temos disco!

Distribuídos pelos 10 temas do disco de estreia há sintetizadores em quase todas as músicas, instrumentos de sopro, coros à boa maneira post-punk dos anos 80 e até uma percussionista extra; escutem e digam lá se não tínhamos aqui uma potencial banda de encher estádios nos gloriosos anos idos da indústria discográfica? Começando com o tema “3 Friends”, brincam ironicamente com a união dos 3, um tema quase autobiográfico; esperemos que não morra nenhum! E registe-se a frase bonita “could we just fly in space and forget to exist in a world without end?”; em “All The Way Down” solta-se a dança brava e assistimos a um Willet preacher man assumido pelas palavras de Merton dizendo que foi mais fundo nos infernos que o próprio diabo e eu asseguro que é mesmo aqui que consigo ver Mr. Cave aos pulos! Segue-se “(World In My) Bloodstream” e temos o hino dos FSF; sintetizador épico, filosofia Zen e toda a libertação vinda das teologias orientais: “until the want itself it’s gone, nameless, bloodless and alone…”; em “Solitary Life”, os coros e os instrumentos de sopro ganham vida, uma piscadela de olho a Mr. Hutchence e os encantos do eremitério e do mundo que segue lá fora; “Miami U R About 2 B Surprised”, calma espessa, carnal: “when you become exotic bait for a suburban afternoon”; “Ambassadors Of General Electric”, com o sintetizador a comandar o ritmo, uma vez mais a chamar à dança ritmada assumida no tema seguinte, “Turn or Burn” e, pelo tom de voz, o conselho não deve ser descurado; “Man The Master” é marcado pela percussão, criando a ilusão de um ambiente industrial, suavizado pela soul na voz de Willet; “Christmas Card” chama a dança novamente e “Clairvaux Prison” baixa-nos de volta à terra, poisando-nos calmamente para terminar esta viagem.

Deixo-vos as palavras de Thomas Merton; ele diz que elas devem ser usadas.

To awaken in man the lucid anguish in which alone he is truly conscious of his condition and therefore able to revolt against the absurd. Then he will affirm, over against its ‘unreasonable silence’, the human love and solidarity and devotion to life which give meaning to his own existence.

Eu acordei, agora experimentem vocês!