Rapidamente associados ao transcendental, ao absurdo e ao absolutamente mágico, os Fresh Snow são um grupo sediado no Canadá que faz a sua música de fantasiosas proporções, maioritariamente instrumentais, e completamente fora das coisas tangíveis. Com um faro especial para a música de infinita progressão, teclados ácidos e um som que se faz de chamuscada distorção e coloridos riffs, a banda encontra-se agora fresca do lançamento do seu segundo disco ONE, que saiu ao mundo em Setembro e guarda nos seus meandros “I Can’t Die”, o denso instrumental que agora recebe imagem para ilustrar o seu tom naturalmente cinematográfico e epicamente sinistro.

O vídeo, absolutamente fascinante na sua concepção, sai de Benjamin Portas que veio construir diversos espaços e realidades num purgatório digital ‘feito como resposta à canção chamada “I Can’t Die” ‘. O que recebemos acaba por ser uma demonstração suis generis do conceito de imortalidade, uma vez que somos levados quase de porta em porta para novas e bizarras dimensões como uma alma sem descanso que vagueia infinitamente sem rumo, tal como o próprio tema o faz através dos seus explosivos riffs e de um teclado que se mostra cada vez mais proeminente ao se afunilar num raio laser cortante.

Somos, assim, levados a um belo estímulo sensorial à medida que canção – dotada de uma discreta mas valente secção rítmica -, evolui junto do vídeo como um choque de cores e sons organizados ao nível da mestria. Este é um que vale mesmo a pena espreitar. ONE já está disponível pela Hand Drawn Dracula. Algum do trabalho de Benjamin Portas pode ser visto aqui.